30/07/2022 - 15:09 - Gerais
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O jovem defensor dos animais em Patos, Ronaldo Leite, entrou em contato com o Blog do Jordan Bezerra, para comunicar que a castração química dos animais, uma medida que o município vem tentando adotar, não é recomendável por ser prejudicial a saúde dos animais.
Segundo Ronaldo, a castração química representa um risco para os animais de rua da cidade, razão pela qual irá entrar no ministério Público da Paraíba-MP/PB, para evitar que a medida seja efetivamente iniciada pela Secretaria Municipal de Saúde.
Em documento encaminhado a nossa produção, Ronaldo faz a seguinte argumentação: conforme o que foi noticiado, o secretário Leônidas Dias teve somente um médico veterinário e a responsável pelo Canil Municipal para tomar uma grande decisão, e tal decisão é um grande risco para saúde dos animais em situação de rua, conversei com alguns (as) médicos (as) veterinários (as) sobrea opinião de cada um deles sobre a castração química dos animais, o resultadofoi o seguinte: a castração cirúrgica é única recomendação para bem-estar do animal!
Lei nº 13.426, de 30 de março de 2017, diz:Art.1. O controle de natalidade de cães e gatos em todo o território nacional será regido de acordo com o estabelecido nesta Lei, mediante esterilização permanente por cirurgia, ou por outro procedimento que garanta eficiência, segurança e bem-estar ao animal.Lei Estadual nº 11140 DE 08/06/2018 (Código de Direito e Bem-Estar Animal da Paraíba), diz:Art. 31.
O controle populacional e de zoonoses de caninos e felinos em todo o Estado da Paraíba será considerado matéria de saúde pública, que deverá abranger, além de outras medidas devidamente autorizadas em Lei, a esterilização cirúrgica ou outras formas cabíveis, desde que também autorizadas em Lei específica.Conforme as leis federal e estadual, é dever do município dar prioridade castração cirúrgica de cães e gatos, como meio de esterilização permanente (conforme a Lei Federal).
A castração química além de fornecer problemas de saúde aos animais, ela não é permanente: é uma forma de esterilização pelo método químico, ou castração química, é efetuada por duas injeções de gluconato de zinco, de até 2 ml, uma em cada testículo de cães, não sendo ainda indicada para gatos. Ou seja, de 6 em 6 meses o município de Patos teria que recolher todos os animais novamente para aplicar nova dose do medicamento neles.
O fato é que a castração química não é utilizada nos EUA, em muitos países da Europa e contestada no México. Em nosso país, tem uso pontual em apenas algumas cidades. Na verdade, a castração química é bastante controversa, e mesmo que seus fabricantes afirmem que não cause câncer, e mesmo nenhuma dor, seus detratores alertam que o produto pode provocar isquemia, e o testículo se transforme em fibrose, podendo necrosar e causar a morte do animal. Mas a questão da dor infringida ao animal é contestada por estudos da UNESP e UENP, que apontou que 60% dos animais submetidos aoprocedimento desenvolvem dor MODERADA. A própria bula do Infertile fala de dor e contraindicações.Recente artigo da ANDA cita a Universidade Estadual do Norte do Paraná, que também realizou estudos com base na escala de dor da Universidade de Melbourne (UMPS – University of Melbourne Pain Scale), concluiu: “É recomendado o uso de analgésico e anti-inflamatório antes da realização da castração química, mesmo que não haja um evidente reconhecimento das alterações de comportamento exibidas pelo animal, para garantir seu bem-estar após o procedimento”Apesar de ter registro no Ministério da Agricultura e possuir recomendação no Conselho Federal de Medicina Veterinária, o método é fortemente condenado por ativistas da causa animal, bem como por centenas de médicos veterinários.
Além disso, o Hospital Universitário da UFCG Patos-PB não faz castrações químicas, mas somente castrações cirúrgicas. Sendo assim, entrei em contato com MPPB para impedir castrações químicas dos animais em situação de rua aqui em Patos-PB, peço ao secretário Leônidas que esqueça castrações químicas e faça castrações cirúrgicas dos animais em situação de rua pelo bem-estar deles.
O QUE DIZ O SECRETÁRIO
O secretário disse ao Blog do Jordan do Bezerra, na tarde deste sábado(30), que não é bem assim, pois inúmeros profissionais dizem que a castração não prejudica os cães:
De acordo com o secretário de Saúde, Leônidas Dias, o município está realizando um estudo de viabilidade técnica com relação ao procedimento, que é indolor aos animais, para que a castração química seja posta em prática na cidade.
Leônidas adiantou que a partir desta segunda-feira, 1, de agosto, será aberta a castração cirúrgica dos animais de rua da cidade de Patos, a fim de minimizar o problema existente no município.
Blog do Jordan Bezerra
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