Exclusivo: Poeta Leonardo Bastião fala ao Blog sobre sua trajetória e recita alguns dos seus famosos versos; vídeo

04/01/2026 - 23:26 - Gerais

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Exclusivo: Poeta Leonardo Bastião fala ao Blog sobre sua  trajetória e recita alguns dos seus famosos versos; vídeo

Aniversário Patos PB

 

O Blog do Jordan Bezerra esteve nesta sábado(3), em Itapetim, no Pajeú pernambucano, reconhecida como terra da poesia, para uma conversa exclusiva com o poeta Leonardo Bastião, nome bastante conhecido do público por seus versos que ganharam grande repercussão nas redes sociais, especialmente no YouTube.

 

A visita aconteceu na residência do poeta e contou com a presença do vereador de Santa Terezinha, Francisco Bezerra, além do declamador Beto Lilioso, que acompanharam de perto esse encontro marcado por simplicidade, memória, sensibilidade e muita poesia popular.

 

Logo no início da entrevista, Leonardo Bastião falou de sua trajetória de vida, marcada por dificuldades desde a infância. Nascido em 1944, ele relembrou que cresceu em um período em que o acesso à escola era inexistente para muitos sertanejos, o que o impediu de aprender a ler e escrever formalmente. Ainda assim, encontrou na poesia um caminho natural para expressar suas vivências.

 

“Minha história foi muito ruim. Eu nasci numa época muito difícil, não tinha escola. Eu não aprendi, não li nada, não sei nada. Mas mesmo assim atravessei aqui e acolá fazendo um verso ou dois. Quando o povo se engraça de um, comenta com o outro, e é assim que começa”, relatou o poeta, com a humildade que marca sua fala.

 

Questionado sobre sua principal fonte de inspiração, Leonardo foi direto ao afirmar que a natureza é a base de toda a sua criação poética. Para ele, é no que se vê no cotidiano do campo, nas plantas, nos animais e nas cenas simples da vida sertaneja que nascem os versos.

 

“A natureza inspira todo poeta. Sem a natureza ninguém faz nada. Tem tanta coisa na natureza que não foi dita nem a metade”, destacou.

 

Durante a conversa, Leonardo também explicou que criar versos exige rapidez de pensamento e atenção, e que muitas vezes é justamente essa “ligeireza” que desafia o poeta popular na hora de montar a rima.

 

Ao ser provocado a falar sobre seus versos mais conhecidos, ele citou composições que circulam amplamente entre admiradores, como os poemas sobre o juazeiro, a sombra e histórias do cotidiano, muitas delas carregadas de humor e crítica social. Entre os exemplos, relembrou versos criados a partir de situações vividas nas feiras e no comércio de gado, personagens reais e episódios que marcaram sua vida.

 

Em um dos momentos mais marcantes da entrevista, Leonardo recitou versos que nasceram dessas experiências:

 

“Feitiço que atrasa a gente eu mesmo não acredito

Mas quem quiser morrer pobre, se lascar até o pito,

Compre gado a Dieny e vá vender a Zezito.”

 

E completou com outro trecho bastante conhecido:

 

“E  a balança de Zezito foi o Satanás que fez

Tem dois botão diferente, ele aperta os dois de uma vez

É um enriquecendo ele e outro roubando o freguês.”

 

A pedido do Blog do Jordan Bezerra, o poeta também deixou versos inspirados em cenas da natureza, como um episódio observado durante uma caçada, que resultou em uma reflexão poética sobre sobrevivência e simplicidade:

 

“Parece até ser mentira que eu vi um preá no mato

Correr na frente de um gato e entrar numa macambira

E de onde o gato não tira, toda caçada é perdida

E no meio daquela corrida eu fiz a minha piada

Que espinho não serve para nada, mas já salvou uma vida.”

 

Leonardo ainda recitou alguns de seus poemas mais emblemáticos, que exaltam a resistência da natureza no sertão:

 

“Juazeiro é uma planta que resiste à terra enxuta

A fruta não vale nada e a madeira é torta e bruta

Mas a bondade da sombra tira a maldade da fruta.”

 

E também versos sobre a sombra que acompanha o homem:

 

“E a sombra que me acompanha não é a que me socorre

Se eu andar ela anda, e se eu correr ela corre

E é mais feliz do que eu, nem adoece e nem morre.”

 

Outro momento de reflexão veio com versos que exaltam os limites do conhecimento humano diante da natureza:

 

“E tudo que o homem estudou para a natureza foi pouco

Que ele não faz um coqueiro e se inventar fica louco

Caçando a encanação que leva a água do chão para botar dentro do coco.”

 

Encerrando o encontro, Leonardo Bastião afirmou que guarda muitos outros versos na memória, mas que nem sempre consegue lembrar de todos no momento. Ainda assim, deixou claro que sua poesia nasce da observação atenta do mundo ao redor, reforçando o valor da cultura popular e da tradição oral do sertão.

 

A entrevista reforça a importância de Itapetim como berço de grandes poetas e evidencia a força da poesia nordestina, que segue viva através de vozes como a de Leonardo Bastião, um verdadeiro patrimônio cultural do Pajeú.

 

 

Blog do Jordan Bezerra 


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