Bebê sofre choque elétrico, chega sem sinais vitais a hospital e é reanimado após força-tarefa com 20 profissionais em João Pessoa

31/01/2026 - 18:14 - Gerais

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Bebê sofre choque elétrico, chega sem sinais vitais a hospital e é reanimado após força-tarefa com 20 profissionais em João Pessoa

Aniversário Patos PB

 

O que seria apenas mais um dia de trabalho em uma unidade hospitalar acabou se transformando em uma verdadeira corrida contra o tempo no Hospital do Servidor General Edson Ramalho (HSGER), em João Pessoa. Mesmo não sendo referência em urgência e emergência pediátrica, a unidade protagonizou o salvamento de um bebê de apenas 1 ano e 9 meses, que chegou ao local sem sinais vitais.

 

A mãe de Hytalo Felipe Santos procurou socorro no hospital por ser o mais próximo de casa, no bairro do Roger. Ela não imaginava que ali o filho teria uma nova chance de vida.

 

A criança sofreu um choque elétrico dentro de casa e deu entrada na unidade em parada cardiorrespiratória. Diante da gravidade do caso, cerca de 20 profissionais se mobilizaram imediatamente na Sala Vermelha. Médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogos, assistentes sociais e outros integrantes da equipe atuaram de forma conjunta em um trabalho intenso de reanimação que durou aproximadamente uma hora.

 

Entre os profissionais estava o cirurgião Thyago Duavy, que, mesmo sem atuar diretamente com pediatria, atendeu prontamente ao chamado de emergência. “Quando cheguei, a criança já estava em parada, toda a equipe empenhada nas manobras de reanimação, mas com dificuldade de acesso venoso. Solicitei um gelco (cateter intravenoso utilizado em situações onde se requer acesso vascular temporário, como em procedimentos cirúrgicos ambulatoriais, emergências médicas ou para administração de fluidos) e, com apoio do ultrassom, consegui puncionar rapidamente para iniciar as medicações do protocolo, para que ele começasse a responder às manobras”, relatou.

 

Para o médico, a experiência foi marcada não apenas pela técnica, mas também pela fé e pelo envolvimento emocional da equipe. “Eu acredito muito que primeiro foi Deus e depois foi aquela equipe abençoada, com muita luz, para aquela criancinha sair de lá com vida. Quando ele voltou, estabilizou a frequência cardíaca e a saturação, eu vi profissionais chorando de emoção. Não tem dinheiro que pague isso. É a sensação de dever cumprido, de estar servindo ao próximo”, afirmou.

 

A coordenadora de Enfermagem da Urgência, Roberta Medeiros, destacou o entrosamento entre os profissionais durante o atendimento. “Foi coisa de Deus mesmo. Tudo se encaixou. Todos os profissionais se voltaram para salvar o bebê e o Núcleo Interno de Regulação (NIR) articulou rapidamente a transferência de Hytalo para o Hospital de Trauma, referência em casos de choque elétrico. Todo mundo sabia da sua missão”, contou. Segundo ela, em meio à tensão, o médico Thyago chegou a afirmar com convicção: “‘Ele vai viver, querem ver? Ele vai viver! Vamos rezar um Pai Nosso!’ Aquilo deu uma força impressionante à equipe.”

 

Após a estabilização, o menino foi transferido para o Hospital de Trauma de João Pessoa, onde permanece internado na UTI Pediátrica. De acordo com a pediatra e coordenadora médica da UTI do HSGER, Emanuelle Carvalho, o estado ainda é grave, mas estável. “A equipe da UTI do Trauma tem esperanças de recuperação e prognóstico bom em relação a sequelas. Só tenho a agradecer pelo trabalho em conjunto de todas as equipes envolvidas. Conseguimos estabilizar essa criança e dar uma nova chance a ele”, afirmou.

 

Enquanto o atendimento acontecia dentro da sala de emergência, do lado de fora a mãe recebia acolhimento psicológico e social. A assistente social Naymara Carneiro explicou que o acidente ocorreu após a criança tocar em uma extensão elétrica improvisada dentro de casa. “Ela desligou a energia, encontrou o filho desacordado e saiu correndo pela rua pedindo socorro. Um vizinho a trouxe para o Hospital Edson Ramalho, por ser o mais próximo”, relatou.

 

A família vive em uma área de ocupação e enfrenta vulnerabilidade social. Após o ocorrido, o hospital acionou o Conselho Tutelar e elaborou relatório para garantir acompanhamento e proteção à criança.

 

Apesar de contar com estrutura hospitalar completa, o HSGER não funciona como porta aberta para atendimentos pediátricos de urgência. Nessas situações, a orientação oficial é que crianças sejam encaminhadas ao Hospital Arlinda Marques, referência no atendimento infantil. Ainda assim, o esforço coletivo da equipe do Edson Ramalho foi decisivo para salvar a vida de Hytalo.

 

Blog do Jordan Bezerra 

Com informações do  SECOM-PB