Justiça condena Padre Egídio por desviar celulares doados ao Hospital Padre Zé; decisão trata como "crime minuciosamente planejado"

14/02/2026 - 01:07 - Gerais

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Aniversário Patos PB

 

A Justiça da Paraíba, por meio da 3ª Vara Criminal de João Pessoa, condenou o Padre Egídio de Carvalho e o ex-chefe do setor de Tecnologia da Informação do Hospital Padre Zé, Samuel Segundo, por apropriação indébita. A condenação, que ainda cabe recurso, ocorreu no âmbito da operação Indignus, que investiga desvios no hospital filantrópico gerido pelo Instituto São José. O prejuízo calculado devido à apropriação indébita é de R$ 500 mil.

A decisão da 3ª Vara Criminal de João Pessoa, assinada pela juíza Ana Christina Soares Penazzi Coelho, reconheceu que o padre Egídio e Samuel Segundo agiram em conjunto para desviar diversos itens de alto valor, entre eles smartphones, tablets e outros eletrônicos. Como trouxe o ClickPB em outubro de 2023, os equipamentos foram doados pela Receita Federal para serem leiloados e angariar fundos para o hospital filantrópico.
Viagem a Foz do Iguaçu, retorno a João Pessoa e armazenamento de equipamentos
Conforme a denúncia ofertada pelo Ministério Público da Paraíba, em maio de 2023, os acusados se dirigiram até Foz do Iguaçu, no Paraná, para receber as mercadorias doadas pela Receita Federal, avaliadas à época em mais de R$ 800 mil. Ao retornarem para João Pessoa, segundo a denúncia, os bens de maior valor foram separados em 15 caixas e armazenados na sala da presidência do hospital Padre Zé.
“A denúncia aponta que, por determinação expressa do acusado Egídio, as caixas permaneceram lacradas e sem conferência formal até o dia 24 de julho de 2023, quando se constatou que doze das quinze caixas estavam vazias, resultando em um prejuízo material estimado em R$ 525.877,77”, diz trecho do processo, como viu o ClickPB.
“Crime minuciosamente planejado”
Na decisão emitida na tarde desta sexta-feira (13), a juíza Ana Christina Soares Penazzi pontua que “o crime foi minuciosamente planejado”.
“O crime foi minuciosamente planejado, desde a segregação dos bens ainda em Foz do Iguaçu/PR, passando pelo armazenamento estratégico em local de acesso restrito, até a criação de uma sofisticada dinâmica de comercialização clandestina e ocultação do produto do crime”, traz trecho da decisão, como viu o ClickPB.
Também é citado que “a prática delitiva ocorreu no interior de um hospital filantrópico, espaço que simboliza solidariedade, cuidado e proteção social, o que evidencia audácia criminosa e profundo desrespeito institucional”.
Efeitos severos do crime
Ao longo da decisão, a juíza pontua que as consequências do crime foram “gravíssimas e de longo alcance”. É enfatizado como um dos prejuízos, devido à apropriação indébita, a dificuldade na manutenção das atividades do Instituto São José, responsável por manter o Hospital Padre Zé.
“Os efeitos mais severos recaíram sobre a própria sobrevivência institucional do Instituto São José, que foi lançado em uma grave crise financeira, comprometendo a continuidade de serviços essenciais prestados à comunidade carente”, diz trecho da decisão.
Quais foram as penalidades?
Padre Egídio de Carvalho Neto: 5 (cinco) anos, 06 (seis) meses e 20 (vinte) dias de reclusão
Samuel Rodrigues Cunha Segundo: 4 (quatro) anos, 07 (sete) meses e 16 (dezesseis) dias de reclusão
Reparação de danos
Além das prisões, o padre Egídio e Samuel foram condenados pela 3ª Vara Criminal de João Pessoa à reparação dos danos materiais causados ao Instituto São José, no valor mínimo de R$ 525.877,77, correspondente ao prejuízo apurado com o desvio dos bens, a ser devidamente corrigido monetariamente.

Os réus (padre Egídio e Samuel) também deverão pagar uma indenização no valor de R$ 500.000,00, que será revertida a um fundo destinado à recuperação e ao fomento de atividades assistenciais no Estado da Paraíba, a ser definido.

Esta indenização, conforme a decisão, é devido aos danos morais coletivos, “considerando a profunda lesão à confiança da comunidade na instituição filantrópica e o abalo à imagem da filantropia como um todo”.
Defesa vai recorrer
Ao ClickPB, a defesa de Samuel Segundo afirmou que irá recorrer da decisão. O ClickPB tenta contato com a defesa do padre Egídio de Carvalho.
ClickPB