“Mulher mais relevante do Brasil?”: fala sobre Virgínia no Carnaval provoca forte reação de Rachel Sheherazade

18/02/2026 - 10:55 - Gerais

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“Mulher mais relevante do Brasil?”: fala sobre Virgínia no Carnaval provoca forte reação de Rachel Sheherazade

“Mulher mais relevante do Brasil?”: fala sobre Virgínia no Carnaval provoca forte reação de Rachel Sheherazade

Aniversário Patos PB

 

O presidente da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), Gabriel David, iniciou seu segundo ano de gestão à frente da entidade em meio a um debate que tem movimentado o universo do samba neste pré-carnaval. Em entrevista à coluna GENTE, da Veja, ele comentou a escolha de Virginia Fonseca como rainha de bateria da Acadêmicos do Grande Rio.


Ao defender a presença da influenciadora no posto, Gabriel David argumentou que eventos de grande apelo popular naturalmente atraem figuras de forte relevância midiática, ainda que não estejam diretamente ligadas à tradição da área. Ele comparou o carnaval a grandes eventos esportivos, como a Copa do Mundo da FIFA e a Formula 1, afirmando que a visibilidade faz parte da dinâmica desses espetáculos.


Segundo o dirigente, a própria Grande Rio historicamente busca nomes de grande projeção para ocupar o cargo de rainha de bateria. “Talvez não tenha nenhuma mulher tão relevante midiaticamente nesse momento no Brasil como a Virgínia”, declarou.


A fala repercutiu nas redes sociais e provocou reação da jornalista e apresentadora Rachel Sheherazade. Em publicação crítica, ela afirmou que a declaração “rebaixa todas as mulheres brasileiras” ao atribuir à influenciadora o título de mulher mais relevante do país na atualidade.


Rachel também questionou o papel da mídia na definição de quem recebe visibilidade e reconhecimento. Para ela, veículos de comunicação exercem influência direta na construção de narrativas sobre relevância social e cultural, privilegiando determinadas figuras em detrimento de outras. “Há muito tempo, é a mídia quem dita o que ou quem é relevante, quem merece espaço no horário nobre, que conteúdo deve abastecer e prevalecer nas programações”, escreveu. Em outro trecho, acrescentou: “Quando uma revista divulga que a mulher mais relevante do país é uma influenciadora de jogos de azar, ela rebaixa todas as mulheres brasileiras”.


Durante o posicionamento, a jornalista citou a cientista Tatiana Sampaio, responsável por pesquisas voltadas à recuperação de movimentos em pessoas com lesão medular, como exemplo de mulher que, segundo ela, deveria receber maior destaque na imprensa. Rachel defendeu que cientistas, intelectuais e profissionais de diferentes áreas do conhecimento também precisam ocupar espaço nas páginas e nos debates públicos. “Nós temos mulheres brilhantes em todos os campos do conhecimento, mas a mídia insiste em coroar os bobos da corte”, afirmou. Ela ainda declarou: “A mulher independente, intelectualizada, dona da sua opinião, essa não cabe nas páginas das revistas”.


O episódio reacende discussões recorrentes sobre critérios de notoriedade, representatividade feminina e o papel da mídia na construção de símbolos contemporâneos. Entre tradição carnavalesca, influência digital e reconhecimento acadêmico, o debate extrapola o universo do samba e amplia a reflexão sobre quais trajetórias são exaltadas como referência no Brasil atual.

 

 

Blog do Jordan Bezerra 

Com informações de Veja e terra