06/07/2026 - 16:42 - Gerais
Sete tribunais pagaram supersalários de até R$ 495 mil a magistrados mesmo após decisão do STF que restringiu penduricalhos
Ao menos sete tribunais estaduais pagaram, em maio, salários acima dos limites estabelecidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para magistrados, mesmo após a Corte restringir os chamados “penduricalhos”. Levantamento da Folha de S.Paulo aponta que 616 juízes e desembargadores receberam remunerações superiores ao teto constitucional de R$ 46,4 mil, com valores que chegaram a R$ 495 mil. Naquele mês, ainda vigoravam as regras mais rígidas definidas pelo STF, que permitiam vencimentos de até R$ 78,8 mil apenas em situações específicas.
Os pagamentos foram amparados por uma resolução conjunta do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), aprovada em abril e assinada pelo presidente do STF e do CNJ, ministro Edson Fachin. O texto recriou parte dos benefícios que haviam sido restringidos pelo Supremo, criou novas nomenclaturas para algumas verbas e abriu margem para pagamentos acima do limite definido pela Corte.
Em março, o STF proibiu benefícios como auxílio-alimentação, auxílio-moradia e indenização por acervo, mas manteve verbas indenizatórias, diárias, ajuda de custo, pagamentos retroativos e o adicional por tempo de serviço (quinquênio), desde que respeitados os limites estabelecidos. No fim de junho, porém, o próprio Supremo flexibilizou parte das restrições e voltou a autorizar alguns pagamentos, como a conversão em dinheiro de plantões judiciais não compensados.
Dos oito tribunais que forneceram dados completos ao CNJ, apenas o Tribunal de Justiça de Pernambuco não registrou supersalários. Já os tribunais de Goiás, Distrito Federal, Maranhão, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Rondônia apresentaram pagamentos acima do permitido. O maior valor foi registrado no Distrito Federal, onde uma juíza recebeu R$ 495 mil após a aposentadoria, principalmente por indenização de férias não usufruídas. No Maranhão, um magistrado recebeu R$ 272 mil, enquanto Rondônia teve o maior percentual de juízes com remuneração acima do limite.
Os ministros Flávio Dino, Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin já haviam alertado que está proibida a criação de novos penduricalhos fora das hipóteses autorizadas pelo STF. Para a professora de Direito Administrativo da FGV, Vera Monteiro, as brechas abertas pelas diferentes interpretações favorecem os próprios tribunais e comprometem o controle dos gastos públicos. Seis tribunais afirmaram que os pagamentos seguiram a regulamentação do CNJ e do CNMP, enquanto o CNJ informou que acompanha o cumprimento da decisão do Supremo por meio de sua Corregedoria.
Blog do Jordan Bezerra
Com informações de Polêmica Patos
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