Damião Lucena lança “Porto Morto” em noite marcada por emoção, lembranças e valorização da história de Patos

29/10/2026 - 23:42 - Gerais

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Damião Lucena lança “Porto Morto” em noite marcada por emoção, lembranças e valorização da história de Patos

Assembleia
Prefeitura Patos - PB

 

Patos viveu, na noite desta quinta-feira (29), um momento de reencontro com a própria história. O Centro Cultural Amaury de Carvalho, no coração da cidade, recebeu o lançamento do livro Porto Morto, do jornalista, historiador e escritor Damião Lucena. Mais do que a apresentação de uma obra literária, o evento foi marcado por lembranças, reflexões e pelo compromisso de manter viva a memória de um episódio que abalou profundamente a sociedade patoense.

 

O livro resgata o assassinato do radialista Paulo Porto e da empresária Alba Liene, ocorrido em 7 de dezembro de 1992. Quase 34 anos depois, o caso ainda desperta lembranças, questionamentos e reflexões entre aqueles que acompanharam a tragédia.

 

Familiares, amigos, escritores, representantes da cultura e autoridades participaram do lançamento, que também foi acompanhado pela equipe do Pode Conversar, responsável por entrevistas exclusivas com alguns dos presentes.

 

Para Damião Lucena, o lançamento representa a concretização de um trabalho iniciado há aproximadamente 33 anos. Amigo e colega de profissão de Paulo Porto, o escritor acompanhou de perto os desdobramentos do caso, desde a localização dos corpos até as investigações, perícias e procedimentos judiciais.

 

Em entrevista ao Pode Conversar, Damião explicou que a publicação vai além dos detalhes do crime. A intenção também é apresentar a trajetória das vítimas, especialmente a história de superação de Paulo Porto, que enfrentou limitações físicas, construiu uma carreira na comunicação e conquistou uma vaga na Câmara Municipal de Patos, mas foi assassinado antes de assumir o mandato.

 

Durante a entrevista, o autor revelou que enfrentou dificuldades na elaboração da obra, incluindo ameaças, mas não desistiu do projeto.

 

“Não estamos apontando aqui criminosos, não estamos aqui apontando responsabilidades. Estamos propiciando à população o acesso amplo ao acontecimento e cada um faça efetivamente a sua avaliação”, destacou.

 

Para Damião, o livro deve servir como instrumento de conhecimento e reflexão, inclusive para profissionais do Direito, policiais e pesquisadores interessados em compreender os acontecimentos e os caminhos percorridos pela investigação.

 

Presente no lançamento, o prefeito de Patos, Jacob Souto, também conversou com o Pode Conversar e destacou a importância da publicação para a história do município.

 

O gestor relembrou que chegou a Patos em setembro de 1993, quando o assassinato de Paulo Porto ainda era um assunto muito presente nas conversas da população.

 

Jacob elogiou a dedicação de Damião Lucena e ressaltou a importância de a cidade ter sua história registrada por pessoas que acompanharam os acontecimentos.

 

“Isso é bom, isso é a história sendo contada por alguém que na época já morava aqui em Patos”, afirmou.

 

O prefeito também defendeu a participação do poder público no incentivo à cultura, destacando a necessidade de disponibilizar espaços para lançamentos literários e outras atividades artísticas.

 

Durante a entrevista, revelou ainda que a antiga rodoviária de Patos está sendo preparada para receber eventos culturais, ampliando as possibilidades de realização de iniciativas dessa natureza.

 

Entre os depoimentos colhidos pelo Pode Conversar, o do secretário municipal de Cultura, Pedro Leitão, trouxe lembranças pessoais de sua convivência com Paulo Porto.

 

Em conversa com a equipe, ele revelou que conheceu o comunicador de perto e que os dois foram vizinhos na Rua Felizardo Leite, nas proximidades da Maçonaria.

 

“Nós éramos vizinhos, morávamos ali na Rua Felizardo Leite, próximo à Maçonaria. Então a gente tinha uma amizade muito grande”, relembrou.

 

Pedro contou que acompanhou o início da trajetória do comunicador no rádio. Na época do assassinato, entretanto, estava morando no Acre e recebeu as notícias à distância.

 

Para o secretário, a publicação de Porto Morto é uma maneira de preservar essa história e permitir que as novas gerações conheçam os acontecimentos.

 

Ele também explicou que a impressão do livro foi viabilizada por meio de um edital da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), iniciativa de incentivo à cultura.

 

Segundo Pedro, além da obra de Damião Lucena, um projeto literário do escritor Misael Nóbrega também foi selecionado para receber apoio, com lançamento previsto para outra data.

 

O jornalista e escritor Misael Nóbrega também esteve presente e destacou a relevância do trabalho desenvolvido por Damião Lucena.

 

Amigo e antigo colega de trabalho de Paulo Porto, Misael relembrou a trajetória do comunicador e a comoção provocada pelo assassinato.

 

Ele contou que, em dezembro de 1992, residia em João Pessoa e soube do caso por meio de seu pai. Mesmo distante, acompanhou pela imprensa os desdobramentos da tragédia que tirou a vida de seu amigo e antigo colega de trabalho.

 

Ao comentar o livro, Misael destacou que a obra não pretende acusar ninguém, mas reunir os fatos e permitir que a sociedade construa suas próprias reflexões.

 

“É uma peça política, uma peça jurídica, uma peça histórica e, acima de tudo, um dos trabalhos mais importantes de resgate histórico da cidade de Patos”, declarou.

 

Para ele, recordar acontecimentos como esse é uma forma de reconhecer a própria história e contribuir para que episódios de violência não se repitam.

 

Paulo Porto era uma figura conhecida da comunicação patoense. Atuava no rádio e, apesar das dificuldades impostas pela deficiência física, decidiu disputar uma vaga no Legislativo municipal, sendo eleito vereador em 1992.

 

O sonho de assumir uma cadeira na Câmara Municipal foi interrompido pelo assassinato, poucas semanas antes da posse.

 

A empresária Alba Liene também teve sua vida interrompida naquele episódio de violência que marcou a história do município.

 

Os corpos foram encontrados em 8 de dezembro daquele ano, nas proximidades do aeroporto de Patos. O episódio provocou grande repercussão e deu origem a investigações e processos judiciais que, mesmo após décadas, continuam sendo lembrados pelas dúvidas que permaneceram.

 

Quase 34 anos depois, Paulo Porto e Alba Liene voltam a ocupar um espaço importante na memória da cidade. Desta vez, por meio das páginas de um livro que convida Patos a conhecer, recordar e refletir sobre a própria história.

 

Reportagem: Pode Conversar