Justiça mantém preso delegado investigado por desviar e comercializar drogas apreendidas na Paraíba

03/06/2026 - 00:17 - Policial

Compartilhe:
Justiça mantém preso delegado investigado por desviar e comercializar drogas apreendidas na Paraíba

Assembleia

 

O delegado Braz Morroni teve a prisão mantida pela Justiça após audiência de custódia realizada nesta terça-feira (2). A decisão determina que ele permaneça recolhido no Presídio Especial Valentina de Figueiredo, localizado no bairro do Valentina, em João Pessoa.

 

Morroni está entre os alvos da Operação Perfidus, deflagrada nas primeiras horas da manhã desta terça-feira pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), da Polícia Civil da Paraíba, em conjunto com o Ministério Público da Paraíba (MPPB), por meio da Unidade de Inteligência Policial (Unintelpol) e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

 

A investigação apura o suposto envolvimento de agentes públicos em um esquema de tráfico de drogas. Segundo as autoridades, os investigados teriam se apropriado de entorpecentes pertencentes a traficantes e utilizado a estrutura estatal para comercializar o material de forma ilegal.

 

O nome da operação faz referência ao termo latino Perfidus, que significa “traidor” ou “desleal”, em alusão à conduta atribuída aos investigados, que, conforme as apurações, teriam utilizado prerrogativas e recursos do poder público para favorecer atividades criminosas.

 

Ao todo, foram cumpridos nove mandados de prisão e 24 mandados de busca e apreensão em diferentes localidades. A Justiça também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 10 milhões em bens e valores, medida que busca interromper o fluxo financeiro das atividades ilícitas e assegurar eventual reparação de danos.

 

De acordo com as investigações, integrantes da organização criminosa recebiam informações privilegiadas sobre imóveis e veículos utilizados por traficantes para armazenar e transportar drogas. Com base nesses dados, os suspeitos realizavam ações clandestinas, valendo-se da condição funcional e da aparência de legalidade proporcionada pelo exercício da atividade policial.

 

As apurações indicam que parte dos entorpecentes localizados durante essas operações era desviada e posteriormente revendida ilegalmente, inclusive dentro do sistema prisional. Os lucros obtidos seriam divididos entre agentes públicos e outros integrantes da organização.

 

Os investigadores também identificaram indícios de manipulação de procedimentos policiais para conferir aparência de legalidade às ações criminosas e dificultar a descoberta do esquema. Outro ponto apurado foi a retirada clandestina de drogas armazenadas em uma unidade policial, provenientes de apreensões oficialmente registradas.

 

Além disso, há suspeitas de repasse sistemático de informações sigilosas sobre operações policiais a integrantes do tráfico, o que teria permitido a fuga de suspeitos, a frustração de ações repressivas e a continuidade das atividades criminosas.

 

Em nota, as forças de segurança destacaram que a Operação Perfidus reforça o compromisso da Polícia Civil da Paraíba e do Ministério Público da Paraíba com a preservação da integridade das instituições públicas e o combate ao crime organizado. As investigações seguem em andamento para aprofundar os fatos e responsabilizar todos os envolvidos.

 

Polêmica Paraíba