16/10/2026 - 21:43 - Policial
O corpo de Bryan Gabriel Guedes de Lucena, de apenas 23 dias de vida, foi sepultado na manhã desta sexta-feira (16), no cemitério de Malta, município da região de Patos, no Sertão da Paraíba. A morte do recém-nascido, atingido por 24 golpes de faca, provocou comoção e mobilizou as autoridades policiais e judiciárias.
Os pais biológicos da criança, Marcos Gabriel Santos Pacheco de Alacoque e Mirelly Laila Lucena Braz, ambos de 19 anos, permanecem presos. Na quinta-feira (15), a Justiça converteu as prisões em flagrante em preventivas, e os dois foram encaminhados a unidades prisionais de Patos.
A liberação do corpo ocorreu no fim da tarde de quinta-feira, após a conclusão dos procedimentos no Núcleo de Medicina e Odontologia Legal (Numol) de Patos. José Danilo Guedes, que consta como pai de Bryan no registro civil, deslocou-se de São Bento até Patos para providenciar a retirada e os trâmites funerários.
Depois de liberado, o corpo foi levado para Malta, onde o velório aconteceu na casa da avó materna. O sepultamento foi realizado por volta das 9h desta sexta-feira.
Perícia identificou 24 perfurações
O chefe do Numol de Patos, médico-legista Dionísio Filho, informou que o exame pericial encontrou 24 perfurações provocadas por arma branca no corpo do bebê. Os ferimentos atingiram diferentes regiões, incluindo rosto, tórax, abdômen e costas. Uma das lesões alcançou o coração e provocou uma hemorragia grave.
Em entrevista ao programa Correio Verdade, da TV Correio, o legista ressaltou a violência empregada contra a criança e afirmou que ela passou por um período de sofrimento antes de morrer.
“Um caso chocante. A equipe pericial identificou no corpo da criança 24 perfurações por arma branca. A gente pode afirmar que ele sofreu, agonizou antes da morte”, declarou.
Justiça mantém investigados na prisão
A decisão que determinou a prisão preventiva de Marcos Gabriel e Mirelly Laila foi proferida durante audiência de custódia na tarde de quinta-feira. O Ministério Público da Paraíba (MPPB) pediu a manutenção da prisão, enquanto a defesa solicitou que os investigados respondessem ao processo em liberdade.
A magistrada homologou as prisões em flagrante e acolheu o pedido do Ministério Público. Marcos Gabriel foi levado ao Presídio Masculino Romero Nóbrega, em Patos, e Mirelly Laila foi encaminhada ao Presídio Regional Feminino, também no município.
Na decisão, a juíza destacou a gravidade concreta do caso, considerando a idade da vítima, a violência descrita nos autos e as circunstâncias em que as agressões teriam ocorrido.
“Recém-nascido indefeso com 23 dias de existência, no leito doméstico, com emprego de brutal violência e meio manifestamente cruel. Tais peculiaridades evidenciam reprovabilidade excepcional decorrente do próprio modus operandi”, registrou a magistrada.
O documento também aponta a necessidade de proteger a investigação e evitar possíveis interferências na coleta de provas. Conforme os autos, os dois investigados apresentaram versões conflitantes sobre a dinâmica das agressões e atribuíram um ao outro a responsabilidade pelos golpes.
Outro elemento mencionado na decisão foi o relato de uma testemunha de que Mirelly teria tentado modificar aspectos da cena ao limpar as mãos ensanguentadas no corpo de Marcos Gabriel. A magistrada também considerou necessário resguardar os depoimentos de moradores da vizinhança.
A Justiça autorizou a coleta de material biológico dos investigados e determinou a realização ou juntada de exames periciais ainda pendentes, incluindo laudos de necropsia, do local do crime, de pesquisa de sangue e de perfil genético. Também foi permitida a extração pericial dos dados dos celulares dos suspeitos.
Delegado relata histórico do relacionamento
De acordo com o delegado Emerson Barbosa, da Delegacia de Homicídios e Entorpecentes (DHE), o relacionamento entre Marcos Gabriel e Mirelly Laila foi marcado por separações e reconciliações.
Conforme as informações obtidas durante os interrogatórios, os dois se conheceram por meio do jogo on-line Free Fire e chegaram a morar juntos em Minas Gerais por aproximadamente quatro a cinco meses. Depois, retornaram à Paraíba e alugaram uma casa em Patos.
Na época do crime, entretanto, o casal já não vivia na mesma residência. Segundo o delegado, Mirelly havia retomado o relacionamento com um antigo companheiro, que mora em São Bento, e foi até Patos para buscar roupas e outros pertences pessoais.
A discussão que antecedeu o caso teria ocorrido enquanto ela organizava os objetos para deixar o imóvel.
A Polícia Civil continua investigando as circunstâncias da morte de Bryan Gabriel e busca esclarecer a participação individual de cada um dos suspeitos nas agressões que provocaram a morte do recém-nascido.
Blog do Jordan Bezerra
Com informações do Patos Online
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