02/06/2026 - 20:06 - Política
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a criticar as medidas comerciais adotadas pelos Estados Unidos contra o Brasil e saiu em defesa do sistema de pagamentos instantâneos brasileiro durante evento realizado nesta terça-feira (2), em Catalão, no estado de Goiás. Ao subir ao palco, o petista apareceu segurando um cartaz com a frase “O PIX é do Brasil” e direcionou críticas ao presidente norte-americano Donald Trump.
Durante discurso na inauguração do Hospital Universitário da Universidade Federal de Catalão, Lula afirmou que a decisão do governo norte-americano de anunciar uma tarifa de até 25% sobre produtos brasileiros foi tomada de forma “intempestiva” e baseada em informações falsas. “Viram que eu entrei aqui com essa faixa: ‘O PIX é do Brasil’. É porque ontem o presidente americano, numa atitude intempestiva, anunciou um aumento de taxação das coisas brasileiras para 25%, com base numa mentira”, declarou.
O presidente contestou a justificativa apresentada pelos Estados Unidos de que existe déficit comercial na relação com o Brasil. Segundo Lula, o histórico comercial entre os dois países mostra justamente o contrário. “Eles alegam que têm déficit comercial com o Brasil, mas tiveram, ao longo de 15 anos, um superávit de US$ 415 bilhões”, afirmou.
Ao comentar a investigação comercial aberta pelo Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR), Lula afirmou acreditar que o sistema PIX estaria entre os fatores que incomodam setores econômicos norte-americanos. “Eu fiquei preocupado porque o PIX assusta eles. Eu falei para ele: ‘Ô Trump, ao invés de ter medo do PIX, coloca o PIX para funcionar nos Estados Unidos. Faz um PIX para nós’”, disse.
Segundo o presidente, o modelo brasileiro preocupa empresas privadas do setor financeiro por oferecer transferências gratuitas e instantâneas aos usuários. “O PIX vai acabar mesmo com esse modelo, porque é de graça, é público e ninguém paga nada. É só clicar e está resolvido o problema”, acrescentou.
Lula cobra telefonema de Trump
Durante o discurso, Lula afirmou que espera uma conversa direta com Donald Trump para discutir o impasse comercial entre os dois países. O presidente brasileiro disse que ambos haviam estabelecido um prazo para negociações antes do anúncio das tarifas.
“Trump, é o seguinte, cara: você disse que pintou uma química entre eu e você. Quem anunciou isso não foi você nem eu. Você me deve uma reunião e eu devo uma para você”, declarou.
O petista também afirmou que os governos haviam acordado um período de 30 dias para que ministros dos dois países buscassem uma solução negociada. “Nós demos 30 dias para nossos ministros negociarem. Estou esperando um telefonema seu para me explicar o que aconteceu na sua ausência e na minha ausência, porque esse acordo não pode ter sua anuência”, completou.
Críticas aos filhos de Bolsonaro
Mais cedo, durante outro compromisso em Goiás, Lula também voltou a criticar integrantes da família Bolsonaro ao comentar a investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos.
Segundo o presidente, os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro teriam atuado para estimular a pressão internacional contra o Brasil. “Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser piores do que ele e são, na verdade, vendilhões da pátria. Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras”, afirmou.
Em nota divulgada nesta semana, o governo brasileiro classificou o relatório norte-americano com “indignação” e afirmou que a investigação foi motivada por provocações da família Bolsonaro, além de representar uma tentativa de interferência em assuntos internos do país.
Entenda o caso
O governo dos Estados Unidos concluiu uma investigação comercial contra o Brasil e anunciou a intenção de aplicar tarifas de até 25% sobre produtos brasileiros. A medida ainda não entrou em vigor e deverá passar por etapas formais de consulta pública antes de uma decisão final, prevista para ocorrer até 15 de julho.
Entre os pontos citados pelos norte-americanos estão questões relacionadas ao PIX, desmatamento ilegal, combate à pirataria, corrupção e proteção à propriedade intelectual.
No caso do PIX, o sistema é visto por autoridades e empresas dos Estados Unidos como um modelo público que concorre diretamente com grandes operadoras privadas de cartões e meios de pagamento, tema que passou a ser explorado politicamente pelo governo brasileiro nas últimas semanas.
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