02/08/2026 - 13:15 - Política
Em entrevista ao programa Voz e Representação, presidente da Câmara falou sobre sua trajetória política, ações no Legislativo, eleições de 2026, sucessão da Mesa Diretora e planos para o município
O presidente da Câmara Municipal de Santa Terezinha, Francisco Bezerra, fez um amplo balanço de sua trajetória pública e das ações desenvolvidas no Legislativo durante entrevista concedida neste sábado (1º) ao programa Voz e Representação. Em seu terceiro mandato como vereador e também na terceira passagem pela presidência da Casa, ele falou sobre investimentos na estrutura da Câmara, transparência, projetos de lei, preservação da memória política do município e articulações para as eleições de 2026 e 2028.
Ao relembrar o início de sua vida pública, Francisco afirmou que o interesse pela política surgiu ainda na infância, quando morava na zona rural e acompanhava os comícios realizados nas comunidades. Segundo ele, em uma época sem internet, televisão ou energia elétrica em muitas localidades, os encontros políticos também estavam entre os principais acontecimentos sociais da população rural.
A atuação em espaços de representação começou no período estudantil. Quando estudava na Escola Estadual Professor João Alberto, Francisco foi presidente de sala e organizou um bingo para comprar um ventilador para a turma. Mais tarde, no Monsenhor Vieira, assumiu a presidência do Grêmio Estudantil, substituindo Jamerson Ferreira. Ele recordou que a instituição tinha mais de 3 mil alunos e enfrentava problemas estruturais. A mobilização dos estudantes, com o apoio do Ministério Público e de outras entidades, contribuiu para a realização de uma ampla reforma no prédio.
De volta a Santa Terezinha, Francisco participou da fundação do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente e, posteriormente, disputou uma vaga no Conselho Tutelar, quando recebeu 695 votos. Também trabalhou como secretário da Câmara na gestão do então presidente Davi Cordeiro. Depois, quando Davi assumiu a Prefeitura, foi convidado para atuar no setor financeiro, passando pelas funções de tesoureiro e secretário municipal de Finanças.
A primeira candidatura a vereador aconteceu em 2016, a convite do então prefeito Arimatéia. Francisco contou que não tinha tradição política na família, formada por 12 irmãos, e precisou superar a lógica dos grupos familiares que historicamente exercem forte influência nas eleições dos pequenos municípios. Naquele pleito, recebeu 361 votos, ficando como o segundo mais votado do partido e o quarto na classificação geral. Ele também destacou o apoio recebido do ex-prefeito Silvino Corsino e de sua família.
Eleito inicialmente pelo PSB, Francisco assumiu a presidência da Câmara em janeiro de 2017, mesmo integrando o grupo de oposição à gestão municipal daquele período. Segundo ele, a eleição interna foi difícil, mas seu nome conquistou a confiança dos demais vereadores. Em 2020, migrou para o Republicanos, partido pelo qual foi reeleito naquele ano e novamente em 2024.
Entre as principais ações de sua gestão, Francisco destacou a recuperação da memória política de Santa Terezinha. De acordo com o presidente, a Câmara não possuía registros organizados sobre vereadores, prefeitos e vice-prefeitos do período compreendido entre as décadas de 1960 e 1990. O trabalho envolveu buscas por fotografias, documentos e informações sobre antigos representantes públicos, inclusive de pessoas que já não tinham familiares residindo no município.
Em um dos casos, relatou, foi necessário localizar no cemitério a fotografia de um ex-vereador que havia falecido em Capanema, no Pará. O material reunido passou a integrar um mural instalado na Câmara, permitindo que familiares e visitantes conheçam os nomes que fizeram parte da história política local. A próxima etapa, em fase de conclusão, deve reunir os representantes eleitos entre 1996 e 2024, com informações sobre partidos, votações e percentuais obtidos nas urnas.
Francisco também pretende promover, antes de concluir sua gestão, uma sessão solene para homenagear ex-vereadores ainda em vida. A proposta foi inspirada em uma iniciativa semelhante realizada pela Câmara de Conceição. Para ele, experiências bem-sucedidas de outros municípios podem ser aproveitadas e adaptadas à realidade local.
Outra mudança destacada foi a redução do recesso parlamentar e a realização de sessões itinerantes na zona rural. A iniciativa levou os vereadores até as comunidades para ouvir moradores e conhecer de perto as demandas de cada região.
Na parte estrutural, Francisco lembrou a reforma e ampliação da sede do Legislativo, iniciada juntamente com o então presidente Damião. Segundo ele, o prédio, construído na década de 1960, apresentava uma estrutura antiga e precária. A intervenção incluiu lajeamento, troca de revestimentos, melhorias nos banheiros e reforma do plenário, com investimento superior a R$ 230 mil, realizado com recursos economizados pela própria Câmara.
Agora, o principal projeto é a construção de um auditório com capacidade para aproximadamente 80 pessoas. O espaço deverá receber sessões, palestras, conferências e outros eventos públicos. Francisco explicou que a Câmara não pode receber diretamente recursos que não sejam provenientes do duodécimo. Por isso, a emenda destinada à iniciativa deverá passar pela Prefeitura, que ficará responsável pela execução da obra.
A parceria para viabilizar o auditório está ligada à aproximação de Francisco com o presidente da Câmara de João Pessoa, Dinho Dowsley. Os dois se conheceram durante um encontro de vereadores na Estação Cabo Branco, na Capital. Desde então, mantêm uma relação política que também resultou, conforme o presidente, na entrega de um kit agrícola à comunidade de Santana, formado por trator, grade aradora, plantadeira e caçamba.
Francisco também participou da inauguração da nova sede da Câmara de João Pessoa e disse ter encontrado no projeto uma referência para os investimentos que pretende deixar em Santa Terezinha. A relação construída entre os dois presidentes é uma das razões apontadas por ele para apoiar a pré-candidatura de Dinho Dowsley a deputado estadual.
“Eu quero isso para Santa Terezinha. Não quero nada pessoal”, afirmou Francisco ao explicar as conversas mantidas com o aliado. Segundo ele, o apoio foi discutido com o prefeito Arimatéia e não representa rompimento com o grupo político. Francisco acompanhará os candidatos apoiados pela situação nos demais cargos, mas seguirá um nome diferente para deputado estadual. Em sua avaliação, a presença de vários candidatos com votação no município pode ampliar a busca por recursos e investimentos para a cidade.
Para deputado federal, Francisco reafirmou o apoio a Hugo Motta, com quem mantém alinhamento desde 2014. Ele citou, entre as ações resultantes dessa parceria, a implantação do estádio de futebol com gramado, refletores e iluminação. Na chapa estadual, declarou apoio a Lucas Ribeiro para o Governo da Paraíba e a Nabor Wanderley e João Azevêdo para o Senado.
Ao justificar o voto em João Azevêdo, Francisco mencionou a reconstrução da Escola Professor João Norberto. De acordo com o vereador, a unidade apresentava sérios problemas estruturais e a mobilização de lideranças locais, da imprensa e da Prefeitura ajudou a levar a demanda ao Governo do Estado. Após avaliação técnica da Suplan, decidiu-se pela construção de uma nova escola no mesmo terreno, em um investimento superior a R$ 6 milhões.
Durante a entrevista, Francisco também comentou o recente encontro político realizado na Fazenda Nova Cachoeira, em Santa Terezinha. Segundo ele, o evento reuniu entre 120 e 130 prefeitos, além de vereadores, deputados e lideranças de diferentes regiões da Paraíba. Participaram nomes como Lucas Ribeiro, João Azevêdo, Nabor Wanderley e Hugo Motta. Para o presidente da Câmara, o encontro colocou Santa Terezinha no centro das discussões políticas estaduais e serviu para reafirmar a continuidade do projeto governista.
Na gestão administrativa da Câmara, Francisco ressaltou os resultados alcançados na área da transparência. Ele afirmou que, durante três anos consecutivos, o Legislativo de Santa Terezinha ficou entre os 20 órgãos mais bem avaliados em um levantamento que analisou 452 instituições públicas paraibanas. A Casa recebeu medalha de prata e, segundo o presidente, trabalha para alcançar a classificação de ouro.
O portal da Câmara reúne leis, requerimentos, projetos, informações sobre os vereadores, Lei Orgânica, Regimento Interno, empenhos e outros documentos públicos. Francisco garantiu que os processos estão digitalizados e disponíveis para consulta. Ele também informou que cinco prestações de contas de suas gestões já foram aprovadas por unanimidade, sem ressalvas ou pareceres contrários do Ministério Público de Contas.
No campo legislativo, o presidente disse ter mais de 30 projetos aprovados. Entre os que mais considera importantes está a lei de controle populacional de animais domésticos, com foco na castração e no enfrentamento ao abandono. A iniciativa deverá ganhar reforço com a chegada do Castramóvel, por meio de uma parceria entre a Secretaria Municipal de Saúde e o Governo do Estado.
Francisco citou ainda ações em defesa das pessoas com fibromialgia, a ampliação de quatro para seis meses da licença-maternidade das servidoras municipais e iniciativas de incentivo ao esporte. Ele mencionou melhorias planejadas para campos de futebol nas comunidades de Santana e Quixaba, além do apoio a equipes locais.
Sobre a sucessão na presidência da Câmara, Francisco explicou que não poderá concorrer novamente em razão do limite de reconduções consecutivas. Seu apoio deverá ser destinado ao vereador Zé do Egito, que exerce o quinto mandato, já presidiu a Casa em duas oportunidades e é considerado o decano do Legislativo municipal. Segundo Francisco, as conversas dentro do grupo estão avançadas e o nome reúne apoio praticamente unânime. A eleição da nova Mesa Diretora deverá acontecer no final do ano.
A entrevista também avançou para a sucessão municipal de 2028. Vereador mais votado de Santa Terezinha nas eleições de 2020 e 2024, Francisco recebeu 560 votos no último pleito, marca que, segundo ele, é a maior já alcançada por um candidato ao Legislativo na história do município.
Questionado sobre a possibilidade de disputar a Prefeitura, ele admitiu que tem o desejo de administrar Santa Terezinha, mas ressaltou que uma eventual candidatura dependerá do diálogo com o partido, o prefeito, os vereadores, suplentes, a vice-prefeita e as demais lideranças do grupo.
“Dizer que não tenho o desejo e o sonho de administrar o nosso município seria mentir. Tenho vontade de dar minha contribuição para o desenvolvimento de Santa Terezinha e deixar minha marca também na história do município”, declarou.
Francisco disse que pretende apresentar seu nome no momento adequado, mas considera prematuro antecipar a disputa enquanto ainda há mais da metade do atual mandato municipal pela frente. Para ele, uma discussão eleitoral fora de hora pode acirrar os ânimos e prejudicar a gestão do prefeito Arimatéia. A prioridade, neste momento, será a campanha estadual de 2026.
Entre as ideias defendidas para o futuro de Santa Terezinha estão a atração de empresas, a geração de empregos, o fortalecimento das parcerias com os governos estadual e federal e a valorização da zona rural. Ele citou a localização próxima a Patos, o acesso por rodovia federal, os três grandes assentamentos existentes no município e a segurança hídrica proporcionada pelo Açude Capoeira como vantagens que podem contribuir para a instalação de novos empreendimentos.
Francisco também defendeu a manutenção do transporte destinado aos moradores que trabalham em Patos. Segundo ele, o serviço reduz uma despesa que poderia chegar a R$ 600 ou R$ 700 mensais para quem recebe um salário mínimo. Na visão do vereador, o orçamento municipal precisa ser participativo, com atenção especial às comunidades rurais e definição das prioridades a partir da escuta da população.
Ao falar sobre cultura, Francisco relembrou a cavalgada criada em homenagem ao pai, Miguel. A primeira edição aconteceu ainda em vida e reuniu grande número de participantes. Uma nova cavalgada foi realizada após o falecimento do homenageado, mas o evento não ocorreu neste ano em razão dos custos. O presidente afirmou que pretende retomar a iniciativa futuramente, desde que consiga apoio para o financiamento.
Ele também defendeu a valorização das pegas de boi, vaquejadas e do São João tradicional de Santa Terezinha. Francisco é autor da lei que reconheceu o São João das Casinhas como patrimônio cultural imaterial do município. Para ele, as 40 noites de programação junina fortalecem a tradição e movimentam a economia local, preservando um formato mais próximo do autêntico forró pé de serra.
Ao encerrar a entrevista, Francisco Bezerra afirmou que pretende concluir o auditório e os demais projetos da Câmara até dezembro. Ele reiterou que vê a política como uma forma de servir à população e declarou que deseja deixar como marcas de sua passagem pelo Legislativo a responsabilidade com os recursos públicos, a preservação da história municipal e a aproximação da Câmara com os moradores de Santa Terezinha.
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