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Campanha de Cícero Lucena aciona Justiça Eleitoral e aponta suposto sistema de compra de votos envolvendo eleitores; Lucas reage e afirma: 'estão desesperados'

30/09/2026 - 21:45 - Política

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Campanha de Cícero Lucena aciona Justiça Eleitoral e aponta suposto sistema de compra de votos envolvendo eleitores; Lucas reage e afirma: \'estão desesperados\'

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A disputa pelo Governo da Paraíba ganhou um novo capítulo na reta final das eleições. A campanha do candidato Cícero Lucena (MDB) protocolou, nesta quarta-feira (30), uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) contra o governador e candidato à reeleição Lucas Ribeiro (PP), levantando suspeitas de compra de votos e abuso de poder político e econômico.

 

O caso foi apresentado durante uma entrevista coletiva da equipe jurídica de Cícero, realizada quatro dias antes do primeiro turno. Segundo os advogados, a denúncia envolve uma suposta plataforma eletrônica que teria sido utilizada para organizar informações obtidas durante visitas a eleitores e acompanhar demandas apresentadas por moradores.

 

O advogado Walter Agra, que representa a campanha de Cícero, afirmou que o material apresentado na ação apontaria para uma estrutura organizada de abordagem do eleitorado. Para ele, o diferencial do caso seria a existência de registros que, segundo a acusação, permitiriam acompanhar desde a identificação das necessidades dos eleitores até possíveis retornos para verificar a intenção de voto.

 

“É a primeira vez que vejo uma documentação da compra de votos”, afirmou Agra durante a coletiva.

 

De acordo com os dados apresentados na AIJE, a plataforma teria registrado milhares de visitas e informações sobre eleitores. A ação menciona 8.592 visitas, 1.721 demandas individualizadas, 723 pedidos e 6.942 revisitas. O documento também aponta 1.596 colaboradores cadastrados, sendo 1.339 considerados ativos, distribuídos em grupos territoriais com atuação em João Pessoa, Bayeux, Cabedelo e Santa Rita.

 

Entre as demandas que, segundo a denúncia, teriam sido registradas no sistema estão consultas médicas, exames, cirurgias, cestas básicas, botijões de gás, materiais de construção e empregos. A ação também afirma que haveria informações sobre a intenção de voto e a rejeição dos candidatos da chapa governista.

 

Ainda conforme a acusação apresentada pela campanha de Cícero, parte dos colaboradores cadastrados seria formada por servidores públicos estaduais. A denúncia sustenta que essas pessoas teriam participado das chamadas visitas aos eleitores.

 

Walter Agra afirmou que o suposto mecanismo funcionaria em etapas. Primeiro, seriam identificadas as necessidades apresentadas pelos moradores; posteriormente, haveria o retorno para acompanhamento ou atendimento das solicitações e, em seguida, uma nova abordagem para verificar a intenção de voto dos beneficiários.

 

O advogado classificou a existência dos registros como um elemento relevante para a investigação. “Muito se fala de compra de voto, de abuso de poder econômico, mas quem comprar, documentar a visita, a oferta, a comprovação do atendimento e a revisita para verificar se houve modificação do voto, essa é a primeira vez”, declarou.

 

A campanha de Cícero também informou que o endereço eletrônico apontado na ação teria sido retirado do ar após o caso vir à tona. Segundo Walter Agra, os dados disponíveis teriam sido preservados e encaminhados ao Ministério Público Eleitoral.

 

A AIJE foi apresentada ao Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba e caberá à Justiça Eleitoral analisar os elementos apresentados pela campanha, ouvir os envolvidos e decidir sobre a procedência ou não das acusações. A ação também envolve a candidata a vice-governadora Lígia Feliciano, segundo informações divulgadas sobre o processo.

 

Lucas Ribeiro reage

 

O governador Lucas Ribeiro afirmou, nesta quarta-feira, que ainda não havia tomado conhecimento do conteúdo da ação quando foi questionado sobre o caso. Ele classificou a iniciativa como uma tentativa de ataque na reta final da campanha.

 

“É mais uma demonstração de que eles não têm o que falar. Eles estão desesperados, atacando de qualquer forma, de qualquer jeito”, declarou Lucas.

 

Até o momento, as acusações apresentadas na AIJE permanecem sob análise da Justiça Eleitoral e não representam, por si só, uma conclusão sobre a ocorrência dos crimes apontados pela campanha de Cícero.

 

Blog do Jordan Bezerra 

Com informações do Mais PB