Paraibanos que chegaram aos ministérios do Governo Federal e marcaram a história da política nacional

01/11/2026 - 01:03 - Política

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Paraibanos que chegaram aos ministérios do Governo Federal e marcaram a história da política nacional

Assembleia
Prefeitura Patos - PB

 

A Paraíba tem uma participação importante na história política do Brasil. Ao longo de diferentes períodos da República, filhos do estado ocuparam posições de destaque na administração federal, chegando a comandar ministérios e a participar de decisões que influenciaram os rumos políticos, econômicos e institucionais do país.

 

Essa presença atravessa gerações e diferentes contextos históricos, desde os primeiros anos do regime republicano até o período mais recente. Entre os nomes estão juristas, escritores, militares, economistas e políticos que construíram trajetórias de alcance nacional. Ao todo, 14 paraibanos integraram ministérios do Governo Federal, deixando suas marcas em diferentes áreas da gestão pública.

 

Um dos primeiros foi Aristides da Silveira Lobo, nascido em Cruz do Espírito Santo. Jurista, jornalista e político, desenvolveu boa parte de sua carreira em Alagoas, estado pelo qual exerceu mandato de deputado entre 1864 e 1870. Defensor da República e da abolição da escravidão, assinou o Manifesto Republicano de 1870, documento que ajudou a organizar o movimento republicano no país. Com a Proclamação da República, em 1889, integrou o Governo Provisório de Deodoro da Fonseca e assumiu o Ministério dos Negócios do Interior, permanecendo na função até 1890. Posteriormente, voltou à Câmara dos Deputados e também chegou ao Senado, representando Alagoas.

 

Outro paraibano de projeção nacional foi Epitácio Pessoa, natural de Umbuzeiro. Sua trajetória incluiu a participação na Assembleia Constituinte de 1890 e a passagem pelo Ministério da Justiça durante o governo de Campos Sales, entre 1898 e 1901. Em seguida, foi ministro do Supremo Tribunal Federal, onde permaneceu até 1912, quando deixou a Corte para assumir uma cadeira no Senado pela Paraíba. Em 1919, liderou a delegação brasileira na Conferência de Paz de Paris, que culminou no Tratado de Versalhes. Ainda durante sua permanência no exterior, foi eleito presidente da República, após a morte de Rodrigues Alves, vencedor do pleito que não chegou a tomar posse. Epitácio governou o Brasil de 1919 a 1922 e permanece como o único paraibano a ter ocupado a Presidência. Depois do mandato, integrou a Corte Permanente de Justiça Internacional, em Haia, e voltou a representar a Paraíba no Senado entre 1924 e 1930. O assassinato de seu sobrinho João Pessoa, em 1930, provocou forte abalo pessoal, contribuindo para seu afastamento gradual da vida pública. Morreu em 1942.

 

Nascido em Brejo do Cruz, em 1914, João Agripino também alcançou posições importantes na política brasileira. Antes de ingressar na vida parlamentar, trabalhou no Ministério Público e na advocacia. Foi um dos fundadores da União Democrática Nacional (UDN) e exerceu mandato de deputado federal a partir de 1946. Em 1961, licenciou-se da Câmara para assumir o Ministério de Minas e Energia no governo de Jânio Quadros, função que ocupou entre janeiro e agosto daquele ano. No ano seguinte, chegou ao Senado pela Paraíba e, em 1965, foi eleito governador do estado, permanecendo no cargo até 1971. Depois da administração estadual, foi nomeado ministro do Tribunal de Contas da União, instituição que chegou a presidir em 1973. Aposentou-se em 1974, mas retornou à política partidária na década seguinte. Em 1982, conquistou novamente uma cadeira na Câmara Federal, encerrando sua trajetória parlamentar em janeiro de 1987. Morreu em 6 de fevereiro de 1988, aos 73 anos.

 

Também nascido em Cruz do Espírito Santo, José Pereira Lira construiu carreira no Direito e na administração pública federal. Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1922, onde passou a atuar no Ministério Público e ampliou sua participação na vida política. Na década de 1930, foi eleito constituinte pela Paraíba, exerceu liderança da bancada federal e participou de comissões parlamentares. Entre 1935 e 1937, ocupou a primeira-secretaria da Câmara dos Deputados. Em janeiro de 1946, assumiu a chefia do Departamento Federal de Segurança Pública a convite do presidente Eurico Gaspar Dutra. Posteriormente, passou a comandar a Casa Civil da Presidência da República, permanecendo na função até o fim do governo Dutra, em 1951. Na sequência, tornou-se ministro do Tribunal de Contas da União, onde atuou até 1969. Morreu em 1985.

 

A cidade de Itabaiana foi o berço de Abelardo Jurema, nascido em 15 de fevereiro de 1914. Formado em Direito pela Faculdade de Direito do Recife, iniciou sua trajetória profissional no jornalismo e no serviço público. Trabalhou no jornal A União, dirigiu a Rádio Tabajara e ocupou funções administrativas relacionadas à educação e à comunicação. Ainda na década de 1930, foi nomeado prefeito de Itabaiana e, anos depois, assumiu a Prefeitura de João Pessoa, entre 1946 e 1947. Na política nacional, exerceu temporariamente o mandato de senador como suplente de Rui Carneiro e, em 1958, foi eleito deputado federal. Em junho de 1963, deixou temporariamente a Câmara para assumir o Ministério da Justiça no governo de João Goulart. Sua passagem pela pasta terminou com o golpe militar de 1964, quando foi afastado, preso por militares e posteriormente exilado em Lima, no Peru. Retornou ao Brasil em 1974 e, entre 1982 e 1985, dirigiu o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Morreu em João Pessoa, em 9 de fevereiro de 1999.

 

Outro nome nascido na capital paraibana foi Fernando Carneiro da Cunha Nóbrega, em 20 de agosto de 1904. Depois de estudar no Liceu Paraibano e no Pio X, formou-se em Direito pela Faculdade do Recife, em 1927. Ingressou na política como deputado estadual em 1934 e, posteriormente, administrou João Pessoa entre 1937 e 1940. Em 1945, foi eleito deputado federal e participou dos trabalhos da Assembleia Constituinte de 1946. Também presidiu o Banco Nacional de Crédito Cooperativo, entre 1951 e 1953. Em julho de 1958, assumiu o Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, permanecendo no cargo até abril de 1960. Na sequência, comandou interinamente o Ministério da Agricultura por dois meses. Em junho daquele ano, foi nomeado ministro do Tribunal Superior do Trabalho, função que exerceu até 1971. Depois da aposentadoria, trabalhou como consultor jurídico do Banco do Estado da Paraíba. Morreu no Rio de Janeiro, em 9 de novembro de 1993.

 

A participação de paraibanos na estrutura federal também alcançou o setor militar durante a Ditadura Militar. Um dos nomes desse período foi Jaime Portela de Melo, que ocupou posições estratégicas no governo do general Costa e Silva. Antes do golpe de 1964, participou de movimentos políticos e articulações militares contrárias a determinados processos de sucessão presidencial, incluindo tentativas de impedir a posse de Juscelino Kubitschek e João Goulart. Durante o governo Costa e Silva, assumiu a chefia do Gabinete Militar da Presidência e a secretaria-geral do Conselho de Segurança Nacional, tornando-se um dos oficiais mais próximos do presidente. Em 1968, esteve ligado ao núcleo de decisões do governo no período de edição do Ato Institucional nº 5 (AI-5). Quando Costa e Silva sofreu um derrame, em agosto de 1969, Portela participou das articulações que impediram a posse do vice-presidente Pedro Aleixo e contribuíram para a formação de uma junta militar. Ele permaneceu à frente do Gabinete Militar durante o governo da Junta, entre agosto e outubro daquele ano. Em 1977, voltou ao cenário político ao tentar articular setores mais radicais do regime em torno da candidatura do general Sílvio Frota à Presidência, movimento que acabou derrotado pela escolha de João Figueiredo. Portela morreu em 1984.

 

A literatura e a política também se encontraram na trajetória de José Américo de Almeida, nascido em 10 de janeiro de 1887, no engenho Olho d’Água, em Areia. Formado em Direito pela Faculdade do Recife, em 1908, começou a carreira como promotor público em Sousa e, posteriormente, assumiu a Procuradoria-Geral do Estado. Paralelamente à atuação jurídica e administrativa, desenvolveu uma reconhecida produção literária. Em 1923, publicou *A Paraíba e seus Problemas*, obra dedicada à realidade social e econômica do estado. Cinco anos depois, lançou *A Bagaceira*, romance considerado um marco do regionalismo moderno brasileiro.

 

Sua projeção política ganhou força nos acontecimentos que antecederam a Revolução de 1930. Aliado de João Pessoa, participou da articulação contrária ao governo de Washington Luís. Com a chegada de Getúlio Vargas ao poder, foi nomeado interventor da Paraíba e, posteriormente, assumiu o Ministério da Viação e Obras Públicas, cargo que ocupou de 1930 a 1934. Em 1937, chegou a ser apresentado como candidato à Presidência da República, mas a disputa foi interrompida pelo golpe que instituiu o Estado Novo e cancelou as eleições. Com a redemocratização, voltou à política nacional e foi eleito senador pela Paraíba. Em 1950, conquistou o governo estadual e, três anos depois, licenciou-se para reassumir o Ministério da Viação e Obras Públicas no segundo governo Vargas. Após a morte do presidente, em 1954, retornou à administração paraibana. Em 1955, participou da fundação da Universidade da Paraíba, tornando-se seu primeiro reitor. Disputou novamente uma vaga no Senado em 1958, mas não foi eleito. Em 1966, ingressou na Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira 38. Morreu em João Pessoa, em 10 de março de 1980, aos 93 anos.

 

Outro militar paraibano que chegou ao primeiro escalão do governo federal foi Aurélio de Lira Tavares, nascido em João Pessoa em 7 de novembro de 1905. Filho do político João Lira Tavares, que também exerceu mandato no Senado, seguiu carreira no Exército. Em 1943, atuou no Estado-Maior e recebeu a missão de organizar a Força Expedicionária Brasileira, enviada à Itália durante a Segunda Guerra Mundial. Depois do golpe de 1964, assumiu o comando do IV Exército, sediado no Nordeste, e posteriormente dirigiu a Escola Superior de Guerra. Em março de 1967, com a posse de Costa e Silva, foi nomeado ministro do Exército. Durante sua gestão, foi editado o AI-5, em dezembro de 1968, medida que ampliou os poderes do Executivo e aprofundou a repressão política no país. Aurélio permaneceu no ministério até outubro de 1969 e integrou, ao lado do almirante Augusto Rademaker e do brigadeiro Márcio de Sousa e Melo, a Junta Militar que governou o Brasil após o afastamento de Costa e Silva. Com a escolha de Emílio Garrastazu Médici, o grupo deixou o poder. Em 1970, Aurélio foi nomeado embaixador brasileiro na França, função que exerceu até dezembro de 1974. Também publicou trabalhos sobre história militar, estratégia e relações internacionais. Foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 1970 e morreu no Rio de Janeiro, em 18 de novembro de 1998.

 

Na área econômica, um dos paraibanos de maior projeção foi Celso Monteiro Furtado, nascido em Pombal, em 26 de julho de 1920. Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1939, onde cursou Direito e trabalhou como jornalista. Depois de concluir a graduação, em 1944, integrou a Força Expedicionária Brasileira durante a Segunda Guerra Mundial, atuando na Itália como oficial de ligação junto ao V Exército norte-americano. No pós-guerra, direcionou sua formação para a economia e concluiu doutorado na Universidade de Paris, a Sorbonne, em 1948, com uma pesquisa sobre a economia colonial brasileira.

 

Em 1949, passou a trabalhar na Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), em Santiago, no Chile, onde contribuiu para o desenvolvimento do pensamento estruturalista latino-americano. Sua obra *Formação Econômica do Brasil*, escrita em 1957 e publicada em 1959, tornou-se uma das referências mais importantes para o estudo da história econômica nacional. De volta ao país, assumiu a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), em 1959, órgão criado para enfrentar as desigualdades regionais e estimular a industrialização nordestina. Em 1962, durante o governo de João Goulart, tornou-se o primeiro ministro do Planejamento do Brasil. Na pasta, elaborou o Plano Trienal de Desenvolvimento Econômico e Social, que buscava combinar crescimento, controle da inflação e reformas estruturais. Deixou o ministério em 1963 e retornou à Sudene, mas teve sua atuação interrompida pelo golpe militar de 1964. Com os direitos políticos cassados, deixou o Brasil e passou cerca de duas décadas lecionando em universidades europeias e norte-americanas, entre elas Yale, Columbia e Sorbonne. Após a anistia, voltou ao país e foi nomeado embaixador junto à Comunidade Econômica Europeia. No governo de José Sarney, assumiu o Ministério da Cultura, entre 1986 e 1988. Em 1997, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira 11. Morreu no Rio de Janeiro, em 20 de novembro de 2004, aos 84 anos.

 

Maílson Ferreira da Nóbrega, nascido em Cruz do Espírito Santo em 14 de maio de 1942, também chegou ao comando de uma das principais pastas econômicas do país. De origem humilde e o mais velho de dez irmãos, mudou-se ainda adolescente para João Pessoa para continuar os estudos, contando com uma bolsa concedida pelo governo estadual. Ingressou no Banco do Brasil em 1963, onde trabalhou nas áreas de crédito rural e industrial e avançou para funções de maior responsabilidade. Formou-se em Economia pelo Centro de Ensino Unificado de Brasília e passou a integrar a administração econômica federal em 1977, quando assumiu a coordenação de assuntos econômicos do Ministério da Indústria e do Comércio. Dois anos depois, ingressou na equipe do Ministério da Fazenda, onde ocupou diferentes funções até chegar à Secretaria-Geral.

 

Em dezembro de 1987, após a saída de Luiz Carlos Bresser-Pereira, assumiu interinamente o Ministério da Fazenda. Foi efetivado em janeiro de 1988 pelo presidente José Sarney, em um cenário marcado por inflação elevada e dificuldades relacionadas à dívida externa. Sua política econômica ficou conhecida como “feijão com arroz”, baseada em ajustes graduais, sem medidas de choque. Em janeiro de 1989, lançou o Plano Verão, que introduziu o Cruzado Novo, mas não conseguiu interromper o avanço da inflação nem resolver a questão da dívida externa. Depois de deixar o governo, passou a atuar no setor privado, integrou conselhos de administração e se tornou comentarista e analista da economia brasileira. Em 1996, criou sua própria consultoria econômica e, posteriormente, tornou-se sócio da Tendências Consultoria Integrada.

 

Nascido em Campina Grande, em 11 de outubro de 1941, Ney Suassuna também integrou o primeiro escalão federal. Embora tenha desenvolvido parte significativa de sua carreira fora da Paraíba, formou-se em Administração e Economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e também concluiu Pedagogia. Ingressou na política paraibana pelo MDB e chegou ao Senado como suplente de Antônio Mariz, assumindo o mandato em 1995, quando Mariz deixou a Casa para governar a Paraíba. Foi eleito senador em 1998, período em que exerceu funções de liderança partidária e participou de comissões importantes, como a de Assuntos Econômicos. Em novembro de 2001, afastou-se temporariamente do Senado para assumir o Ministério da Integração Nacional no segundo governo de Fernando Henrique Cardoso. Permaneceu na pasta até abril de 2002. Depois de não conseguir a reeleição em 2006, ficou afastado da atividade parlamentar por alguns anos. Em 2018, foi eleito primeiro suplente na chapa de Veneziano Vital do Rêgo e voltou ao Senado em setembro de 2020, durante uma licença do titular, permanecendo no cargo até janeiro de 2021.

 

Mais recentemente, Aguinaldo Ribeiro, natural de Campina Grande e nascido em 1969, também alcançou o comando de um ministério. Integrante de uma família tradicional da política paraibana, iniciou sua trajetória na administração pública estadual, assumindo em 1998 a Secretaria de Agricultura, Irrigação e Abastecimento da Paraíba, função que exerceu até 2002. No mesmo ano, foi eleito deputado estadual, permanecendo na Assembleia Legislativa até 2011. Depois de conquistar uma vaga na Câmara Federal em 2010, passou a ocupar posições de liderança no Partido Progressistas e ganhou espaço nas articulações políticas nacionais. Em fevereiro de 2012, foi escolhido pela presidente Dilma Rousseff para comandar o Ministério das Cidades, substituindo Mário Negromonte. Permaneceu no cargo até março de 2014, quando deixou o governo para disputar a reeleição à Câmara dos Deputados. Desde então, continuou exercendo mandato federal, sendo reeleito em outras três eleições.

 

O nome mais recente dessa lista é o do cardiologista Marcelo Queiroga, formado pela Universidade Federal da Paraíba e especializado em cardiologia, hemodinâmica e cardiologia intervencionista, após residência no Hospital Adventista Silvestre, no Rio de Janeiro. Em março de 2021, durante a crise sanitária provocada pela pandemia de Covid-19, foi escolhido pelo então presidente Jair Bolsonaro para assumir o Ministério da Saúde. Tomou posse em 23 de março daquele ano, tornando-se o quarto titular da pasta no governo Bolsonaro. Permaneceu no comando do ministério até o encerramento da gestão presidencial. Depois de deixar o cargo, ampliou sua participação na política partidária. Em 2024, foi escolhido pelo PL para disputar a Prefeitura de João Pessoa, chegando ao segundo turno contra o então prefeito Cícero Lucena, mas terminou a eleição com pouco mais de 36% dos votos. Em 2026, disputou uma vaga no Senado Federal e ficou na quarta colocação, com 12,46% dos votos.

 

As trajetórias desses 14 paraibanos mostram a presença do estado em diferentes momentos da administração federal. Da Justiça à economia, da infraestrutura à saúde, passando pela área militar e pela cultura, esses nomes ocuparam posições de influência nacional e levaram a Paraíba ao centro de decisões importantes da história brasileira.

 

Blog do Jordan Bezerra 

Com informações do Polêmica Paraíba