09/03/2026 - 14:38 - Gerais
Estudantes de Medicina da UFPB protestam contra superlotação e pedem reorganização do internato
Estudantes do curso de Medicina da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) realizaram, na manhã desta segunda-feira, 09 de março, uma manifestação para denunciar problemas enfrentados no internato médico, etapa final da graduação. O ato ocorreu no Centro de Ciências Médicas, no Campus I da instituição, em João Pessoa.
De acordo com os alunos, o principal ponto de insatisfação envolve a carga horária do internato e a forma como a etapa está sendo organizada. Atualmente, o período corresponde a cerca de 45,5% de todo o curso de Medicina, percentual superior ao mínimo de 35% estabelecido pelas Diretrizes Curriculares Nacionais.
Segundo os estudantes, a situação tem provocado superlotação nos campos de prática, além de atrasos no calendário acadêmico e períodos de espera prolongados até o início das atividades do internato.
Em documento elaborado pelo centro acadêmico, os alunos relatam que o acúmulo de atrasos acabou gerando retenção de turmas e a entrada simultânea de diferentes grupos nessa fase da graduação. Com isso, ambientes destinados às atividades práticas acabam recebendo mais estudantes do que o previsto.
A consequência direta, conforme os manifestantes, é a redução da qualidade da experiência prática. Eles afirmam que, em alguns cenários, locais que deveriam receber cerca de 10 alunos acabam concentrando até três vezes esse número, o que comprometeria o aprendizado durante o estágio obrigatório.
Diante da situação, os estudantes defendem a readequação da carga horária do internato. A proposta apresentada sugere a redução de 3.795 horas para 2.865 horas dentro da estrutura curricular, mantendo o percentual ainda acima do mínimo exigido pelas diretrizes nacionais.
Durante o programa TV Arapuan, o repórter Bruno Pereira comentou a situação e destacou a preocupação dos estudantes com a organização do curso.
Segundo ele, os alunos pedem que haja consenso entre três unidades ligadas ao curso de Medicina da UFPB para que seja encontrada uma solução para o problema.
O jornalista ressaltou que os estudantes não pedem redução da qualidade da formação, mas sim organização no cronograma e nas atividades práticas.
“Eles querem celeridade, sem pular etapas e mantendo a qualidade que sempre marcou o curso de Medicina da UFPB”, afirmou.
Ainda segundo o repórter, a superlotação nos campos de estágio pode comprometer o aprendizado. Ele exemplificou que consultórios e ambientes de prática que deveriam receber cerca de 10 estudantes podem chegar a concentrar até 30, caso a situação não seja reorganizada.
Bruno Pereira também alertou para outro impacto da desorganização acadêmica: o tempo de formação. Embora o curso tenha duração prevista de seis anos, estudantes temem que o período possa se estender para sete anos ou até mais caso os atrasos continuem.
“Cada estudante representa uma história e um sonho. Muitos saíram de casa e enfrentam dificuldades para concluir a graduação. O que eles pedem é organização”, destacou.
Procurada, a Universidade Federal da Paraíba informou que a situação está sendo tratada internamente pelo departamento de Medicina. A reitoria afirmou que acompanha o caso e que está aberta ao diálogo.
Uma reunião entre representantes dos estudantes e a administração da universidade está marcada para a próxima quarta-feira (11 de março), às 10h, quando o tema deverá ser discutido.
Blog do Jordan Bezerra
Com informações de MaisPB
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