Após ataque, Trump pressiona pela aprovação de salão de festas na Casa Branca

28/04/2026 - 10:26 - Gerais

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Após ataque, Trump pressiona pela aprovação de salão de festas na Casa Branca

Após ataque, Trump pressiona pela aprovação de salão de festas na Casa Branca


por The New York Times

 
Poucas horas depois de um homem armado invadir o jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca, causar a retirada dos presentes e encerrar o evento, Donald Trump e aliados já demonstravam ter uma solução para a segurança presidencial.

 
Eles argumentam que o caos provou, de uma vez por todas, a necessidade do novo salão de festas da Casa Branca que Trump vem defendendo. A reforma, considerada ambiciosa e ao mesmo tempo controversa, é desejo antigo do presidente, que com frequência reclama da falta de espaços para receber convidados na residência oficial, em Washington.


“Este evento nunca teria acontecido com o ‘Salão de Baile Militarmente Ultrassecreto’ atualmente em construção na Casa Branca”, escreveu Trump nas redes sociais no domingo (26). “Que seja construído o mais rápido possível!”


Ele voltou ao assunto em entrevista ao programa “The Sunday Briefing”, da Fox News, falando sobre os desafios de garantir a segurança do Washington Hilton, o hotel onde o tiroteio ocorreu. O salão proposto é alvo de uma ação judicial que tem freado o andamento do projeto —e frustrado o presidente.


Para Trump e dezenas de seus apoiadores mais proeminentes, a interrupção caótica do jantar ajudou a ilustrar por que o processo que tenta barrar a construção do salão deveria ser arquivado. Os advogados do presidente já haviam argumentado que um juiz deveria permitir o avanço do projeto porque ele melhoraria a segurança e permitiria eventos maiores no complexo da Casa Branca.


Mas o esforço coordenado para vincular a segurança do jantar à disputa pelo projeto do salão ignorou em grande medida a realidade do evento anual e as circunstâncias da invasão.


A Associação de Correspondentes da Casa Branca, que organiza o jantar, é uma organização independente cujos membros são jornalistas que cobrem a Casa Branca. O grupo enfrentou críticas intensas este ano por convidar o presidente —como faz anualmente— diante dos esforços de Trump para investigar jornalistas e processar veículos de mídia que não cobrem sua gestão de forma favorável.


Não ficou claro se a organização teria concordado em realizar o evento nas dependências da Casa Branca, mesmo que houvesse espaço disponível, por preocupações com a independência da imprensa.


O jornal New York Times parou de comprar assentos no evento em 2008, citando o valor da independência editorial e o distanciamento das celebridades e políticos que comparecem regularmente.


O jantar é apenas um entre dezenas de eventos privados a que presidentes tradicionalmente comparecem fora da Casa Branca. O Washington Hilton, que sedia o evento há décadas, é um complexo amplo construído para comportar múltiplos grandes eventos. É o mesmo local onde John Hinckley Jr. tentou assassinar o presidente Ronald Reagan em 1981.


A Associação de Correspondentes realiza o jantar desde 1921, e todo presidente da era moderna compareceu a pelo menos um deles, embora Trump não o tenha feito durante seu primeiro mandato.


Há pouco mais de uma semana, um juiz federal escalou o impasse jurídico em torno do salão ao ordenar a suspensão das obras acima do solo, afirmando que o presidente parecia determinado a contornar uma ordem anterior ao redefinir o projeto como uma reforma crítica de segurança nacional.


O juiz Richard J. Leon afirmou que adicionar elementos como janelas à prova de balas e outros recursos de segurança padrão presentes em toda a Casa Branca não isentava o projeto das suas determinações. “Segurança nacional não é um cheque em branco para prosseguir com uma atividade de outra forma ilegal”, escreveu Leon.


Leon já havia decidido que Trump não tinha autoridade para reformar unilateralmente a Casa Branca sem aprovação do Congresso. Um tribunal federal de apelações permitiu que a construção continuasse enquanto analisa a decisão de Leon.


Os planos de Trump preveem uma estrutura de cerca de 8.400 metros quadrados no local onde ficava a Ala Leste. Ele afirmou que o projeto será financiado por US$ 400 milhões (R$ 1,99 bilhão na cotação atual) em doações privadas, mas se recusou a divulgar a lista de doadores. O Times identificou alguns deles.


Trump tem reclamado repetidamente da falta de espaço para eventos internos na Casa Branca e propôs o salão como forma de sediar reuniões maiores.


Ex-incorporador imobiliário, Trump apressou a construção com pouco tempo para revisão pública e, em sua publicação recente, voltou a criticar o processo que tenta bloqueá-la como uma campanha “ridícula” movida por “uma mulher passeando com seu cachorro, que não tem absolutamente nenhuma legitimidade para entrar com tal ação”.


O processo, escreveu ele, “deve ser arquivado imediatamente” e “nada deve ser permitido interferir” na continuidade das obras.


Ele fez comentários semelhantes sobre a necessidade de um salão na Casa Branca em entrevista à jornalistas no sábado (25) à noite, poucas horas depois de ser retirado às pressas do palco no Washington Hilton pela equipe do Serviço Secreto.


No sábado, não havia detectores de metais nas entradas do Hilton, e um perímetro seguro só estava estabelecido mais para dentro do hotel, próximo ao salão de eventos. Um vídeo de segurança divulgado por Trump mostra o atirador correndo por um ponto de controle antes de ser detido antes de conseguir entrar no salão.


“Não é um prédio particularmente seguro”, disse ele sobre o Hilton, antes de partir para seu discurso habitual sobre a necessidade do seu salão. “É vidro à prova de balas. Precisamos do salão.”


Apesar dos reveses judiciais, em cada etapa tanto Leon quanto um painel de juízes do tribunal de apelações permitiram que o presidente continuasse construindo enquanto o litígio prosseguia.


A National Trust for Historic Preservation, organização americana de preservação do patrimônio histórico, que entrou com ação no ano passado para barrar o salão, argumentou que o projeto requer aprovação do Congresso. Os advogados da organização também disseram que a ênfase do presidente nos novos recursos de segurança nacional tem sido um esforço estratégico para contornar outras questões sobre a legalidade do projeto.


Um porta-voz do National Trust não respondeu aos pedidos de comentário sobre os esforços de Trump de vincular os eventos do jantar da mídia à construção do seu salão.


 

Redação