Cármen Lúcia lamenta crise no STF e pede desculpas ao povo brasileiro durante sessão

15/09/2026 - 23:46 - Gerais

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Cármen Lúcia lamenta crise no STF e pede desculpas ao povo brasileiro durante sessão

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Prefeitura Patos - PB

 

A ministra Cármen Lúcia afirmou nesta terça-feira (15) estar profundamente entristecida com o ambiente vivido atualmente no Supremo Tribunal Federal (STF). A declaração ocorreu durante a sessão extraordinária convocada para analisar uma questão relacionada ao ministro Alexandre de Moraes e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

 

Durante sua manifestação, Cármen Lúcia disse que o momento ultrapassa as divergências internas da Corte e reconheceu a existência de um impacto sobre a percepção da população em relação ao Supremo. A ministra afirmou ainda que gostaria de ter contribuído para reduzir a tensão que se estabeleceu nos últimos dias.

 

“Eu me encontro, como talvez muitos de meus colegas, em estado de profunda consternação e tristeza”, declarou.

 

A ministra afirmou que o STF possui, pela Constituição, a responsabilidade de atuar como guardião da Carta Magna e avaliou que os acontecimentos recentes acabaram provocando um “mal-estar cívico” entre os brasileiros.

 

Em seguida, Cármen Lúcia dirigiu um pedido de desculpas à população. Segundo ela, sua intenção era contribuir para uma solução capaz de diminuir o conflito dentro da Corte, mas reconheceu que esse objetivo não foi alcançado.

 

“Eu peço desculpa ao povo brasileiro por talvez ter esperado de mim uma postura diferente. Mas acho que todos nós aqui queríamos a mesma coisa, que era tentar resolver, e as questões não foram resolvidas e foram crescendo demais”, afirmou.

 

A crise mencionada pela ministra ganhou força após a divulgação de documentos da Polícia Federal relacionados às investigações sobre supostas fraudes envolvendo o Banco Master. Entre os materiais tornados públicos estão registros de mensagens trocadas entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro.

 

Segundo informações divulgadas no âmbito das investigações, foram identificadas 52 mensagens entre os dois, trocadas entre dezembro de 2023 e novembro de 2025. Também vieram a público informações sobre encontros entre Moraes e Vorcaro e sobre um contrato de R$ 130 milhões envolvendo o banco e o escritório da esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes.

 

A divulgação dos documentos provocou divergências entre Moraes e o ministro André Mendonça, responsável pela condução de parte das investigações relacionadas ao caso. Moraes questionou a forma como documentos foram disponibilizados e acusou Mendonça de ter feito uma liberação seletiva dos autos. Mendonça, por sua vez, negou a acusação e afirmou que o sigilo foi mantido em relação a informações necessárias à preservação de investigações em andamento e de dados de terceiros.

 

O acesso ao conteúdo extraído do celular de Daniel Vorcaro também se tornou parte da disputa. Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes solicitaram acesso integral ao material. Após determinação de Zanin, a Polícia Federal confirmou na segunda-feira (14) que havia encaminhado cópias do acervo digital aos três gabinetes. A Procuradoria-Geral da República também se manifestou favoravelmente à ampliação do acesso.

 

Na sessão desta terça-feira, o STF analisava se as questões envolvendo Moraes e Mendonça deveriam ser julgadas conjuntamente ou permanecer separadas. O presidente da Corte, Edson Fachin, votou pela tramitação separada dos casos e foi acompanhado por André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia.

 

Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes votaram pela análise conjunta. O julgamento, entretanto, acabou interrompido depois que o ministro Flávio Dino pediu vista dos autos, suspendendo a discussão. O placar parcial estava em 4 votos a 3 pela manutenção dos casos em separado.

 

A manifestação de Cármen Lúcia ocorreu no mesmo julgamento em que o plenário discutia o encaminhamento das questões relacionadas ao caso. A sessão havia sido convocada especificamente para analisar a Petição 16.662, com início previsto para as 10h desta terça-feira.

 

Ao encerrar sua manifestação, a ministra voltou a reconhecer que gostaria de ter colaborado para diminuir a tensão institucional e reiterou o pedido de desculpas à população brasileira.

 

“Portanto, estou pedindo desculpas ao presidente do Supremo, a todos os colegas, mas ao povo brasileiro, porque realmente queria ter sido melhor e poder ter ajudado a acalmar as coisas e não consegui”, afirmou.

 

Blog do Jordan Bezerra 

Com informações do G1