09/02/2026 - 20:49 - Política
A escassez de água em Mãe d’Água, no Sertão paraibano, voltou ao centro do debate público após um impasse envolvendo a gestão municipal e o empresário Marcondes Fernandes, conhecido como Véi das Terras. Ele colocou à disposição da cidade, sem qualquer custo, a água de um poço profundo perfurado em sua propriedade rural, com a proposta de reforçar o abastecimento dos moradores.
Marcondes, que foi candidato a prefeito pelo Partido dos Trabalhadores (PT) nas últimas eleições e acabou derrotado por Dr. Jucélio Pereira (Republicanos), afirma que a oferta não foi aceita pela administração. Para ele, a recusa mantém a população dependente de carros-pipa, modelo que, segundo moradores, não consegue suprir a demanda.
De acordo com o empresário, a água do poço apresenta melhor qualidade. “Nossa água, de acordo com análise que mandei fazer em Recife, é mineral, enquanto a água que chega aos moradores através do carro-pipa, além de ser racionada, é de origem duvidosa”, ressaltou. Ele também citou que a CAGEPA, por meio da Regional das Espinharas, já teria identificado coliformes fecais na água distribuída pela prefeitura.
Ainda segundo Marcondes, o principal obstáculo alegado pela gestão seria o investimento necessário para instalar a tubulação até a cidade. Ele contesta o argumento. “Ora, o custo desse material é menor do que o valor que a prefeitura paga aos carros-pipa”, avaliou, sugerindo que a negativa teria motivação política. “Nesse momento de dificuldade hídrica, é preciso deixar as diferenças políticas de lado e socorrer a população que sofre com a falta de água”, afirmou.
O empresário garante, inclusive, que assumiria os gastos com a compra e a instalação dos canos para transportar a água por cerca de cinco quilômetros, caso receba autorização do poder público. “Agora o povo só fica sem água de qualidade se o prefeito quiser”, arrematou.
Procurada, a Prefeitura de Mãe d’Água apresentou sua versão por meio do secretário de Comunicação, o jornalista Damião Lucena. Ele informou que o prefeito determinou diálogo com o empresário e explicou que a gestão tem buscado uma solução mais estruturante para o problema.
Segundo Damião, Dr. Jucélio esteve em João Pessoa para protocolar, junto ao Governo do Estado, o pedido de implantação da CAGEPA no município. “O objetivo é que a companhia assuma, de forma definitiva, o abastecimento da cidade. O que acontecia anteriormente é que havia resistência à instalação da CAGEPA, sob o argumento de que seria vantajoso não pagar água, mas o resultado foi a falta de água tratada e suficiente para a população”, explicou.
Ele também chamou atenção para uma situação histórica considerada contraditória. “O açude Capoeira, construído no município de Santa Terezinha, fica mais próximo de Mãe d’Água, mas abastece Santa Terezinha, São José do Bonfim e Patos, e não atende Mãe d’Água”, pontuou, acrescentando que “quem tem a obrigação constitucional de abastecer os municípios é o Governo do Estado”.
Sobre a proposta do poço, o secretário disse que a iniciativa é vista de forma positiva, mas esbarra em limitações técnicas. “Não há condições de implantar uma tubulação numa distância como aquela, inclusive passando por áreas de serra”, justificou.
Enquanto a solução definitiva não chega, a prefeitura afirma ter reforçado as medidas emergenciais, como ampliação do número de carros-pipa, abertura de cacimbas, perfuração de novos poços, articulação com a Companhia de Desenvolvimento de Recursos Minerais da Paraíba (CDRM) e decreto de calamidade pública. “Eventos turísticos foram cancelados e todas as prioridades estão voltadas para o socorro à população”, afirmou.
Ao final, Damião reforçou que a administração não pretende barrar iniciativas de ajuda. “Se o empresário disponibilizar o poço, a prefeitura vai buscar a água com carros-pipa e distribuir à população”, concluiu.
Blog do Jordan Bezerra
Com informações do A Fonte
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