13/05/2026 - 12:18 - Política
Durante pronunciamento na tribuna da Câmara Municipal de Patos, na sessão ordinária desta terça-feira (12), a vereadora Perla Gadelha (Republicanos) lamentou o constrangimento que afirmou ter sofrido na semana passada após ser acusada de “segurar” projetos em tramitação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) por suposta intolerância religiosa.
Abalada com a situação, a parlamentar negou qualquer postura discriminatória e afirmou que as acusações não condizem com sua trajetória pessoal, profissional e política.
“Fui acusada de estar ‘segurando’ alguns projetos na CCJ por intolerância religiosa e por conta disso fiquei profundamente constrangida e triste, pois isso não condiz com minha postura, pessoal, profissional e parlamentar”, declarou.
Médica de formação, Perla ressaltou que sempre manteve respeito por todas as manifestações de fé e destacou que nunca teve qualquer tipo de intolerância religiosa.
“Mesmo sendo católica, tenho assessores evangélicos; já apresentei projetos nesta Casa direcionados ao público evangélico e sempre mantive convivência harmoniosa e respeitosa com pessoas de todas as religiões”, afirmou.
A vereadora também fez questão de explicar o funcionamento da Comissão de Constituição e Justiça, da qual faz parte ao lado dos vereadores David Maia (Rede) e Jonatas Kaiky (Republicanos). Segundo ela, os pareceres emitidos pela CCJ seguem critérios técnicos e jurídicos, sem interferência de opiniões pessoais ou crenças religiosas.
“Nosso compromisso na CCJ não é apresentar pareceres com base em opiniões pessoais, em crenças ou preferências, mas, sim, e tão somente, à luz da legislação com a orientação jurídica do procurador desta Casa”, destacou.
Perla acrescentou ainda que todas as matérias relacionadas a religiões — sejam católicas, evangélicas ou de matrizes africanas — receberam seu voto favorável, desde que observadas as exigências legais previstas na legislação.
Solidariedade
Ao final da sessão, a presidente da Câmara Municipal de Patos, vereadora Tide Eduardo (Republicanos), manifestou solidariedade à colega parlamentar e condenou o que classificou como um ataque discriminatório.
Segundo Tide, o fato de apenas Perla ter sido alvo das críticas levantou questionamentos dentro do Legislativo, já que os demais integrantes da CCJ não teriam sido cobrados da mesma forma.
“Por que os vereadores Davi e Jonatas não foram criticados?”, questionou a presidente, atribuindo o ataque seletivo ao fato de a colega ser mulher.
A presidente da Mesa Diretora também afirmou que a Câmara não aceitará acusações sem provas concretas.
“Em nenhum momento nós vamos aceitar esse tipo de acusação sem fundamento concreto. Sinta-se abraçada e acolhida por todos nós, especialmente pela nossa bancada feminina”, declarou.
Tanto Perla quanto Tide Eduardo optaram por não citar nomes dos responsáveis pelos comentários. No entanto, de acordo com as parlamentares, as críticas teriam ocorrido nos corredores da Câmara Municipal, feitas por pessoas interessadas na celeridade da tramitação de determinadas matérias em análise na CCJ.
“Infelizmente, essa ainda é uma realidade em muitos ambientes de trabalho onde mulheres são atacadas e agredidas das mais variadas, inclusive nos parlamentos. Mas, não aceitaremos esse tipo de ataque de quem quer que seja”, reafirmou Tide Eduardo.
Assessoria
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