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Jaques Wagner deixa liderança do Governo no Senado

25/06/2026 - 04:34 - Política

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Jaques Wagner deixa liderança do Governo no Senado

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O senador Jaques Wagner (PT-BA) deixou a liderança do Governo no Senado. O anúncio foi feito nesta 4ª feira (24.jun.2026), cerca de uma hora depois de uma reunião entre o congressista e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No dia 18 de junho, o político foi alvo de uma operação da Polícia Federal sobre o Banco Master. 

 

“Neste momento, minha prioridade absoluta é provar minha inocência e me dedicar à reeleição do presidente Lula e do governador Jerônimo Rodrigues, além da minha reeleição junto com Rui Costa para o Senado”, escreveu. 

 

ALVO DA PF

Jaques Wagner foi alvo da 9ª fase da operação Compliance Zero, deflagrada pela PF em 18 de junho para investigar a possível participação de agentes públicos em um esquema de irregularidades envolvendo instituições do sistema financeiro nacional. Além do senador, o empresário Augusto Ferreira Lima, proprietário do Banco Pleno e ex-sócio do Master, foi um dos alvos das medidas autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal.

 

Ao todo, foram expedidos 18 mandados de busca e apreensão na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal, além de medidas cautelares, como proibição de contato entre investigados e suspensão de passaportes. De acordo com a corporação, os fatos apurados podem configurar, em tese, os crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

 

ALA GOVERNISTA DEFENDIA A SAÍDA

A atitude do líder do Governo no Senado de resistir à saída do cargo em um 1º momento foi vista por aliados do presidente Lula como uma tentativa de arrastar o chefe do Executivo para a crise. A avaliação é que as declarações dadas pelo congressista em entrevista à BandNews, na 5ª feira (18.jun), sobre as investigações sobre esquema de fraudes no Banco Master, tiveram o efeito de “emparedar” o petista.

 

Entre aliados do presidente, há a avaliação de que Wagner não precisava envolver Lula dessa forma. Por isso, uma ala defendia que o senador respondesse ao caso fora da liderança do Governo.

 

Antes da reunião entre Wagner e Lula, integrantes do governo já haviam declarado apoio à saída de Wagner da liderança. O deputado Rogério Correia (PT-MG) disse que o senador deveria se afastar do posto “para se dedicar à sua defesa, resguardada a presunção de inocência”. Já a ex-ministra do Planejamento e Orçamento Simone Tebet (PSB) corroborou para a saída do senador em entrevista ao Poder360.

 

“Ele já deveria ter entregue o cargo. Eu falo como advogada, todos têm direito à ampla defesa e ao contraditório, mas ele é líder do Governo. Para não expor o próprio governo, ele deve pedir, obviamente, a meu ver, o afastamento. Até para que possa cuidar de sua defesa, e fazer os movimentos que achar pertinentes”, afirmou Tebet na 3ª feira (23.jun).

 

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, disse nesta 4ª feira que optaria por substituir Jaques Wagner no cargo de líder do Governo no Senado, mas que a decisão caberia ao presidente Lula.

 

DERROTAS DO GOVERNO NO SENADO 

A rejeição, pelo Senado, do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga aberta no STF é apontada por aliados como um dos fatores que pesaram contra Wagner. Foi a 1ª rejeição a um indicado para a Corte em 132 anos.

 

Jaques Wagner havia assegurado a Lula que Messias tinha votos suficientes para ser aprovado. O senador se reuniu com o presidente no Planalto em 29 de abril, dia da sabatina do chefe da AGU.

 

A CCJ do Senado aprovou a indicação de Messias ao STF por 16 votos a 11. Eram necessários ao menos 14 votos favoráveis.

 

Depois de mais de 8 horas de sabatina, o nome do advogado-geral da União foi submetido ao plenário e acabou rejeitado. Foram 42 votos contrários e 34 favoráveis —7 a menos do que os 41 necessários para a aprovação.

 

A dificuldade de interlocução entre Wagner e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), também é apontada como fator de desgaste.

 

Alcolumbre levou à votação pautas consideradas problemáticas pelo governo, como o projeto que cria uma linha de crédito para aliviar dívidas do agronegócio, com impacto estimado em R$ 140 bilhões. Na avaliação de integrantes do Planalto, Wagner não conseguiu impedir o avanço da proposta.

 

SENADORES DISCUTEM SUCESSÃO

A bancada do governo no Senado tem antecipado discussões sobre a sucessão do senador na liderança. A senadora Teresa Leitão (PT-PE), até o momento, é o nome mais cotado para assumir o posto. Há um impasse, porque ela já é líder do PT no Senado e, caso mude de cargo, a sigla deverá indicar outra pessoa para a vaga.

 

Ao Poder360, Leitão afirmou que “tudo só pode ser resolvido depois que o presidente se posicionar”.

 

OUTRO LADO

Leia a íntegra da nota da assessoria de Jaques Wagner enviada à imprensa no dia da operação:

 

“O senador Jaques Wagner (PT-BA) esclarece que não é réu, não foi denunciado e não foi acusado em nenhum processo relacionado aos fatos investigados. O parlamentar acompanha com tranquilidade o andamento das investigações e mantém a confiança na condução delas.

 

“Cabe esclarecer que o apartamento mencionado jamais integrou o patrimônio do parlamentar. O senador também nega atuação em favor do Banco Master ou qualquer outra instituição financeira.

 

“Sobre os valores em espécie apreendidos, a assessoria informa que o montante é fruto de diárias legais, declaradas e não utilizadas em missões internacionais oficiais. Por fim, o senador Jaques Wagner reitera que permanece à inteira disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos, com a certeza de que a verdade prevalecerá.”

 

Poder 360