Universidade Federal do Sertão, sediada em Patos, é o caminho para o CSTR superar a baixa quantidade de cursos – por Pedro Jorge Nunes da Costa

05/07/2026 - 12:03 - Opinião

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Universidade Federal do Sertão, sediada em Patos, é o caminho para o CSTR superar a baixa quantidade de cursos – por Pedro Jorge Nunes da Costa

Prefeitura Patos

 

A criação da Universidade Federal do Sertão da Paraíba, com sede em Patos, não pode ser tratada como uma pauta distante, simbólica ou apenas política. Ela precisa ser compreendida como uma necessidade imediata diante da defasagem histórica do ensino superior federal no Sertão paraibano.

 

O caso do Centro de Saúde e Tecnologia Rural da UFCG, em Patos, ajuda a explicar essa urgência. Mesmo instalado em uma das cidades mais estratégicas do interior da Paraíba, o CSTR permanece limitado a quatro cursos de graduação: Medicina Veterinária, Odontologia, Engenharia Florestal e Ciências Biológicas. São cursos importantes, consolidados e relevantes para a região, mas insuficientes diante do peso regional que Patos exerce no Sertão.

 

Essa limitação não diminui a importância do CSTR. Pelo contrário: mostra que Patos já possui uma base federal de ensino superior, pesquisa e formação profissional que poderia servir de ponto de partida para algo maior. O problema é que, dentro da atual estrutura da UFCG, a expansão do campus patoense parece depender de decisões pontuais, lentas e limitadas. A Universidade Federal do Sertão da Paraíba surge justamente como a possibilidade de romper essa dependência e permitir que o Sertão planeje seu próprio futuro acadêmico com mais autonomia.

 

Um dado ajuda a dimensionar essa estagnação: a última nova área de graduação implantada no CSTR foi Odontologia. Sua criação foi aprovada em 2009, por meio da Resolução CSE/UFCG nº 31/2009, e seu funcionamento foi autorizado pelo MEC em 2011. Desde então, Patos atravessa mais de uma década sem receber uma nova área de graduação no centro, apesar de sua importância regional.

 

Enquanto isso, outros campi da UFCG no Sertão paraibano ampliaram ou consolidaram uma presença acadêmica mais diversificada. É preciso deixar claro: não se trata de desejar que Sousa, Cajazeiras ou Pombal percam espaço. A expansão desses campi é positiva para a Paraíba. O problema não está no avanço dos outros; está na defasagem de Patos. Quando um município com a centralidade regional de Patos permanece limitado a poucas áreas de graduação, a desigualdade deixa de ser apenas acadêmica e passa a ser também territorial.

 

Patos mudou muito desde a implantação de sua base federal de ensino superior. A cidade se consolidou como polo de desenvolvimento regional. O Sertão também mudou. As demandas sociais, econômicas, ambientais e profissionais de hoje são muito mais amplas do que eram há décadas. Por isso, causa estranhamento que a principal cidade-polo do Sertão paraibano ainda não tenha uma estrutura universitária federal compatível com sua função regional.

 

Nesse contexto, a Universidade Federal do Sertão da Paraíba, com sede em Patos, não representaria apenas a criação de mais uma instituição federal. Representaria a construção de uma universidade pensada a partir do Sertão, para o Sertão e com o Sertão como prioridade. Seria uma estrutura capaz de organizar novos centros, ampliar cursos, fortalecer a pesquisa, formar profissionais para as demandas regionais e transformar a centralidade de Patos em política pública permanente.

 

Uma universidade federal própria permitiria ao Sertão planejar sua expansão acadêmica com mais coerência territorial. Áreas como saúde, educação, tecnologia, meio ambiente, recursos hídricos, produção rural, biotecnologia, alimentos, inovação, cultura, gestão pública e desenvolvimento regional poderiam ser pensadas de forma integrada, levando em conta os desafios concretos da região semiárida.

 

A Universidade Federal do Sertão da Paraíba também teria força para ampliar a pesquisa aplicada à realidade sertaneja. O Semiárido não pode ser visto apenas como território de carências, mas como espaço de conhecimento, soluções e potencialidades. Uma universidade com sede em Patos poderia produzir ciência voltada à convivência com o clima, à segurança hídrica, à saúde regional, à agropecuária adaptada, à preservação ambiental, à inovação tecnológica e ao desenvolvimento econômico do interior.

 

Defender a Universidade Federal do Sertão da Paraíba com sede em Patos não é negar a importância de outras cidades. É reconhecer que Patos reúne centralidade geográfica, força regional, rede de serviços, tradição educacional e capacidade de articulação suficientes para sediar uma instituição dessa natureza. A cidade já exerce, na prática, papel de referência para dezenas de municípios. O que se reivindica é que essa centralidade também seja reconhecida na estrutura federal de ensino superior.

 

Nos últimos anos, Patos recebeu uma conquista institucional muito relevante: a criação do Instituto Federal do Sertão Paraibano, com sede no município, por meio da Lei nº 15.367, de 30 de março de 2026. Esse avanço fortalece Patos como centro federal de educação e gestão institucional no Sertão. Mas é preciso não confundir as coisas: o IFSertãoPB é uma vitória importantíssima, mas não substitui a necessidade de uma universidade federal própria nem resolve automaticamente a limitação de cursos superiores no CSTR.

 

O Instituto Federal tem sua missão, sua estrutura e sua lógica de expansão. A Universidade Federal do Sertão da Paraíba teria outra dimensão: ensino superior universitário, pesquisa, extensão, pós-graduação, autonomia acadêmica e capacidade de organizar uma política regional de formação profissional em nível mais amplo. As duas instituições não seriam concorrentes. Pelo contrário, poderiam se complementar e transformar Patos em um dos maiores polos públicos de educação federal do interior nordestino.

 

A necessidade imediata de Patos não é apenas ampliar pontualmente os cursos do CSTR, mas recolocar com força a criação da Universidade Federal do Sertão da Paraíba no centro da agenda política, institucional e regional. O campus existente demonstra que há base acadêmica, história e potencial, mas também revela os limites de depender apenas de expansões isoladas dentro de uma estrutura universitária que não tem o Sertão como eixo central.

 

Por isso, a Universidade Federal do Sertão da Paraíba não deve ser tratada como uma possibilidade distante, nem como um projeto para depois. Ela é uma necessidade presente. É a resposta mais coerente para superar a limitação de cursos em Patos, fortalecer a pesquisa, ampliar a graduação, interiorizar oportunidades e construir uma política permanente de desenvolvimento acadêmico para o Sertão.

 

Entre os exemplos de cursos que poderiam ser discutidos com seriedade, Medicina merece ser citada pela força regional de Patos na área da saúde. Não se trata de uma reivindicação vazia nem de uma disputa movida apenas por prestígio. Patos é polo de saúde do Sertão, possui uma rede hospitalar relevante, atende pacientes de dezenas de municípios e já reúne campo de prática para a formação de profissionais da área médica.

 

Além disso, a existência de curso privado de Medicina no município demonstra que Patos já participa da formação médica. O desafio, portanto, seria transformar essa capacidade instalada também em oportunidade pública, gratuita e federal. Medicina, nesse contexto, aparece como exemplo de curso estratégico que poderia ser debatido com seriedade, ao lado de outras áreas igualmente importantes para o desenvolvimento regional.

 

Não se trata de escolher qualquer curso apenas para aumentar números. Trata-se de pensar formações que dialoguem com a vocação regional e com as necessidades reais do Sertão. A permanência de Patos com uma estrutura universitária federal limitada não pode ser tratada como destino natural. É uma escolha institucional, ainda que silenciosa. E escolhas institucionais podem — e devem — ser questionadas.

 

O CSTR não deve ser visto como um problema. Pelo contrário: ele é uma base valiosa. Mas justamente por ser consolidado, deveria servir como ponto de partida para uma nova fase do ensino superior federal em Patos. Essa nova fase precisa ter como centro a criação da Universidade Federal do Sertão da Paraíba.

 

O que não dá mais é aceitar que Patos seja grande no discurso e pequena na distribuição concreta de cursos federais. A cidade não pode ser lembrada apenas quando se fala em localização estratégica, atendimento regional ou importância histórica. Precisa ser lembrada também na hora de distribuir cursos, orçamento, professores, laboratórios, vagas, pesquisas e oportunidades.

 

A pergunta central é simples: o Sertão paraibano continuará dependendo de expansões pontuais ou terá uma universidade federal pensada para sua própria realidade?

 

A resposta passa por Patos e exige uma decisão imediata: transformar a Universidade Federal do Sertão da Paraíba em prioridade real, não apenas em pauta ocasional. O fortalecimento do CSTR e a criação de novos cursos são importantes, mas precisam estar dentro de um projeto maior, capaz de dar ao Sertão uma universidade própria, planejada a partir de suas necessidades e sediada em uma de suas principais cidades-polo.

 

Porque Patos não está resolvida. O CSTR tem mérito, história e relevância. O IFSertãoPB representa uma conquista importante. Mas o Sertão precisa ir além.

 

A Universidade Federal do Sertão da Paraíba, com sede em Patos, não seria privilégio. Seria reconhecimento, planejamento e reparação histórica.

 

Texto opinativo escrito por Pedro Jorge Nunes da Costa, colaborador da Folha Patoense. Comentários podem ser enviados para o e-mail: pjpedrojorge2016@gmail.com.