01/08/2026 - 17:11 - Opinião
Exatamente há um ano, nossa família perdia e se despedia da renomada médica endocrinologista, Dra. Valdecira Lilioso de Lucena. Para mim, meus irmãos e primos, ela era simplesmente a Tia Cira, que nos deixou aos 78 anos e 9 meses. A sua páscoa não foi apenas uma despedida dolorosa de quem gostamos e amamos por ser uma tia boa. Definitivamente, é algo bem maior: ela foi uma figura humana extraordinária que representa a nossa maior REFERÊNCIA. Digo "representa", no presente, porque ela continua servindo como norte, uma verdadeira bússola que ninguém deve esquecer de consultar para não errar o caminho.
Seu cuidado foi um divisor de águas na vida de seus familiares, sobretudo na de seus sobrinhos. São centenas de lembranças e memórias inesquecíveis que nos forjaram. Ela deu e continua a nos dar ESPERANÇA de que toda luta vivida — e não foram poucas —, e cada sacrifício diário, não seriam em vão. Nossa eterna gratidão a DEUS por ter nos presenteado com esse anjo bom aqui na Terra. Gratidão é dom e não apenas uma qualidade; portanto, reconhecer é uma virtude e uma graça de DEUS.
Tia Cira não teve filhos de sangue, pois dedicou sua vida à mãe, à medicina e, naturalmente, aos seus sobrinhos. Quem falasse mal de nós se metia em maus lençóis... No entanto, ela teve muitos "filhos" do coração: seus 18 sobrinhos de primeiro grau. E aqui preciso citá-los: João Neto, José Roberto (Beto), Jamerson, Jânio, Valdecira (Valdinha), Jordan, Jairo, Luciana, Francisco, Miguel Júnior, Helton Jonas, Maria de Lourdes, Rafael, Felipe, Manuela, Horacina, Lilian e Clarissa.
No quesito amor e dedicação aos seus, Tia Cira foi imbatível. Generosidade era seu "sobrenome", acolhimento era sua essência e o aconselhamento era sua lição primeira. Uma característica marcante e admirável de Tia Cira era o acolhimento, algo muito diferente de apenas tratar bem. Acolhimento é empatia real com o próximo, enquanto tratar bem é apenas educação. Ela era uma mulher de atitude, pronta para resolver qualquer "pepino" dos seus.
Lembro-me das reuniões de família ao redor da fogueira na fazenda. Pelo menos uma vez ao ano, ela vinha nos alegrar com sua presença na Fazenda Nossa Senhora de Lourdes, no Carnaval ou na Semana Santa. Fazíamos uma fogueira grande, colocávamos as cadeiras e os bancos de madeira por perto e passávamos horas contando "causos" e novidades. Eita, como era bom tê-la por perto, com um tempinho a mais para colocar o papo em dia, tudo isso apreciando uma mesa farta! A doutora era de "barriga cheia", como dizemos aqui no Sertão; não conhecia a miséria.
Um pouco da sua trajetória
Nossa queridíssima Tia Cira — a Doutora Valdecira Lilioso de Lucena — era filha de Maria de Lourdes Lucena e João Lilioso, e irmã de Miguel Lilioso, José Lilioso (Zeca), Valdemisa (Misa) e João Lilioso Filho. Natural de Patos, no sertão da Paraíba, formou-se em medicina em Recife e especializou-se em São Paulo. Era uma médica gabaritada, dona de um currículo majestoso.
Como endocrinologista, foi professora da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Pernambuco (UPE), em Recife, tornando-se referência na medicina, sobretudo na residência médica de Pernambuco e do Brasil. Integrou a equipe de José Serra quando este foi ministro da Saúde do país. Foi coordenadora da COREME, diretora do Cremepe e conselheira do secretário de Saúde de Pernambuco à época, André Longo. Vale lembrar que a Doutora Valdecira foi agraciada com o título de Doutora Honoris Causa e recebeu a Medalha São Lucas, somando mais de 50 anos dedicados à medicina.
Ao completarmos um ano de saudades, o que nos resta é rezar por ela e seguir seus conselhos como guia em nossas vidas. O céu é para os bons aos olhos de DEUS.
Obrigado por tudo, Tia Cira, e descanse em paz!
Por Jordan Bezerra
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